ONU mantém pressão sobre Kadafi à espera de solução política

Conselho determinou que não há 'provas' de que as forças do regime líbio tenham interrompido os ataques contra a população civil que espera encontrar uma solução política ao conflito

Efe,

25 de março de 2011 | 03h33

NAÇÕES UNIDAS - O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu nesta quinta-feira, 24, manter a pressão sobre o regime do líder Muammar Kadafi após determinar que não há "provas" de que as forças do regime líbio tenham interrompido os ataques contra a população civil, à espera de encontrar uma solução política ao conflito.

 

Os 15 países-membros do principal órgão de segurança da ONU se reuniram durante três horas com o secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, para analisar a situação na Líbia, uma semana depois de autorizarem a intervenção militar, quando as forças de Kadafi preparavam o assalto ao reduto rebelde de Benghazi.

 

"A opinião geral é que a operação continua, mas não é um fim em si mesma, e o que buscamos agora é uma solução política. Todos na mesa compartilhamos a mesma preocupação", disse, na saída da reunião, o embaixador da França na ONU, Gérard Araud.

 

O representante francês afirmou que a intervenção militar até agora foi "um duplo êxito", já que conseguiu responder "à emergência" ao barrar as tropas leais a Kadafi perante Benghazi e impedir os voos das aeronaves do regime.

 

A saída política poderia começar na sexta-feira, na reunião convocada pela União Africana (UA) em Adis-Abeba, da qual participarão representantes do governo líbio e da oposição, além de enviados de outros países, a fim de buscar um cessar-fogo e negociar o fim do conflito.

 

Araud ressaltou que qualquer solução política deve respeitar o desejo dos líbios de "decidir seu próprio futuro", por isso ele não acredita que Kadafi possa ser parte da resolução do conflito.

 

"Mas esta é nossa posição nacional. Não estamos aqui para tratar o assunto de mudança de regime", declarou o diplomata.

 

Quanto à possibilidade de que se estejam buscando vias legais de armar os rebeldes, Araud afirmou que se está aplicando a resolução "ao pé da letra".

 

Apesar das divergências no seio do Conselho a respeito da intervenção militar, a reunião desta quinta-feira ocorreu "em meio a um bom ambiente", e as delegações preferiram se concentrar em assuntos que todos concordam, como a proteção dos civis e a busca de uma saída negociada, disseram fontes diplomáticas.

 

Alguns países expressaram temor de que os bombardeios internacionais possam causar vítimas civis, diante do que os defensores da intervenção responderam que não há informações "críveis" de que esse tenha sido o caso.

 

"O que precisamos é encontrar alguma maneira para sair desta situação. Não podemos ter uma operação militar nem uma zona de exclusão aérea em andamento por tempo indeterminado", disse o embaixador da Índia na ONU, Hardeep Singh Puri, um dos cinco países que se absteve na votação do Conselho realizada para aprovar o uso da força na Líbia.

 

O diplomata expressou receio a "efeitos colaterais" e manifestou o desejo de que "possamos detê-lo em algum ponto".

 

A reunião desta quinta-feira já estava contemplada também na resolução 1.973, adotada no último dia 17, que aprovou o uso de "todas as medidas necessárias" para garantir a segurança da população civil ameaçada pelas forças de Kadafi e que estabelece uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia.

 

No segmento da sessão aberta ao público, Ban apresentou um relatório aos membros do Conselho no qual confirmou que "não há provas" de que Trípoli tenha respeitado o cessar-fogo que anunciou em várias ocasiões, assim como do cumprimento de suas obrigações sob as resoluções 1.970 e 1.973.

 

"Não vemos provas de que este seja o caso. Pelo contrário, prosseguem as ferozes batalhas nas cidades de Ajdabiya, Misrata e Zitan e nos arredores delas, entre outras", observou o secretário-geral.

 

Além disso, ele anunciou que seu enviado especial para a Líbia, o ex-ministro de Exteriores jordaniano Abdelilah al-Khatib, viajará na sexta-feira à capital etíope para participar do encontro convocado pela UA, que terá também a presença dos países da região, de outras organizações regionais e dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Rússia, China, França, EUA e Reino Unido.

 

Ban reiterou a "grave preocupação" das agências humanitárias da ONU diante da situação da população civil, afetada pelos combates entre as forças de Kadafi e os rebeldes líbios.

 

Cerca de 335,6 mil pessoas abandonaram o país desde o início da crise, no mês passado, e 9 mil seguem confinadas no território, em zonas próximas à fronteira com Tunísia e Egito, segundo dados das Nações Unidas.

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