ONU: morte de civis afegãos aumentou 40% em 2008

O número de civis afegãos mortos em conflitos em 2008 alcançou um recorde de 2.118 pessoas, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, segundo relatório divulgado hoje pela Organização das Nações Unidas (ONU). O documento aponta que os insurgentes foram responsáveis por 55% dessas mortes. Tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mataram 829 civis, ou 39% do total. Dessas, 552 mortes foram atribuídas a ataques aéreos. A equipe da ONU afirma que cerca de 130 pessoas foram mortas em fogo cruzado e, por isso, não foi possível determinar quem exatamente foi responsável por essas mortes.O tema das mortes de civis gera controvérsia entre os EUA e o presidente afegão, Hamid Karzai. O governo local tem aumentado as exigências para evitar que tropas norte-americanas matem civis. Cerca de 3 mil soldados norte-americanos chegaram recentemente ao Afeganistão, para atuar em duas províncias perto de Cabul. O comando admitiu que pode aumentar o número de mortes de civis por causa da presença deles. O Pentágono considera enviar até 30 mil soldados neste ano, o que também poderia aumentar o número de civis mortos. Para tentar reduzir o problema, deve aumentar o número de afegãos presentes nas operações.Segundo o relatório da ONU, o número de civis mortos pelos EUA, pela Otan e por tropas locais subiu 31% em comparação com 2007. "Conforme o conflito se intensifica, leva a um crescentemente grande índice de morte de civis", afirma a ONU. A entidade aponta ainda que 38 funcionários humanitários foram mortos no país no ano passado, o dobro do registrado em 2007, e 147 deles foram sequestrados em 2008. Um porta-voz da Otan, major Martin O''Donnell, disse que o número de civis mortos, segundo a força liderada pela Otan e a coalizão liderada pelos EUA, foi de 237 no ano passado. O porta-voz apontou que a diferença pode se dar pois a ONU incluiu mortes causadas por forças afegãs e companhias de segurança privada.

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