Mike Segar / Reuters
Mike Segar / Reuters

ONU muda classificação de desenvolvimento com inclusão de impacto ambiental

IDH do Brasil diminuiria segundo esse critério, mas o País subiria no ranking com a queda dos outros

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 03h54

A ONU divulgou nesta terça-feira, 15, um novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que leva em consideração o impacto no planeta que cada país tem: o Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado às Pressões Planetárias (IDHP).  Isso reduziu significativamente a posição de algumas das nações mais ricas do mundo no ranking anual.

O novo indicador usado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) agrega aspectos como as emissões de gases de efeito estufa e o uso de recursos naturais usados em suas cadeias produtivas, proporcional à população de cada país, aos habituais, como expectativa de vida, anos de educação e renda per capita.

De acordo com o PNUD, o objetivo é deixar claro aos governos que se não forem tomadas medidas decisivas para aliviar a pressão sobre o meio ambiente, o progresso da humanidade será retardado.

"Os humanos têm mais poder sobre o planeta hoje do que nunca. No rastro da covid-19, temperaturas recordes e desigualdade crescente, é hora de usar esse poder para redefinir o que entendemos por progresso", disse o administrador do PNUD, Achim Steiner, em um comunicado.

Países com alto desenvolvimento humano tendem a pressionar mais o meio ambiente, de forma que a inclusão do indicador causa uma reviravolta no ranking. Estados que ano a ano aparecem nas primeiras posições caem significativamente. O IDH do Brasil diminuiria segundo esse critério, mas o País subiria na lista por causa da queda brusca dos demais. 

A Noruega — que com os parâmetros de outros anos ocupa a primeira posição — perde 15 lugares se forem levadas em consideração as questões ambientais, embora ocorram quedas ainda maiores. A Islândia, que ocupava o quarto lugar, perde 26 posições. Austrália vai de 8º para 80ª e Cingapura, que ficava em 11º lugar, caiu 92 posições.

Destacam-se também os retrocessos em outros países com forte impacto ambiental, como Canadá (40 posições a menos), Estados Unidos (45 a menos) e Luxemburgo (que perdeu 143 posições).

Enquanto isso, outros, como a Espanha, melhoram sua classificação. O país estava em 25º lugar na classificação usual, mas ganhou 11 posições no ajuste de emissões e uso de recursos naturais.

Algo semelhante acontece com vários países vizinhos, como França, Portugal e Itália, todos um pouco atrás dos espanhóis nesse ranking e que também melhoram com a nova classificação.

Dois países latino-americanos, Costa Rica e Panamá, estão entre os maiores beneficiários das mudanças e sobem mais de trinta posições no ranking, mostrando, segundo o PNUD, que é possível exercer menos pressão sobre o planeta.

Em geral, toda a América Latina avança na lista, visto que as quedas mais importantes quando se leva em conta o impacto ambiental estão no grupo dos países mais avançados e a maioria dos Estados da região está nas etapas seguintes.

Como nos anos anteriores, o PNUD destaca a desigualdade como um dos principais problemas da América Latina e do Caribe.

O relatório é baseado em dados de 2019 e, portanto, não leva em consideração os efeitos da pandemia do coronavírus, mas o PNUD alerta que o IDH deve cair pela primeira vez desde que começou a ser elaborado em 1990.O relatório conclui que nenhum país do mundo atingiu um nível muito elevado de desenvolvimento humano sem colocar "imensa pressão sobre o planeta", mas salienta que esta geração pode fazê-lo se forem tomadas as medidas cabíveis. 

* Com EFE

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