ONU não se abalará com atentados em Argel, diz secretário-geral

Ban Ki-moon, secretário-geral daOrganização das Nações Unidas (ONU), disse na terça-feira,enquanto inspecionava os escombros do escritório da entidadeatacado pela Al Qaeda em Argel, que o organismo internacionalnão seria intimidado pelo atentado "aterrorizante" que matou 17funcionários da ONU. "Ainda estou chocado com o que vi", afirmou Ban, em umavisita de um dia à Argélia. O secretário deu essa declaraçãopouco depois de passar por um dos locais atacados no dia 11 dedezembro pelo braço norte-africano da Al Qaeda. "O impacto do ataque foi aterrorizante", afirmou. Em ummesmo dia, a Al Qaeda realizou dois atentados em Argel, matandoao menos 37 pessoas. "Não estamos intimidados. Todas as agências da ONUcontinuarão a trabalhar em Argel. Espero que a Argélia leve osresponsáveis à Justiça", disse Ban a repórteres. "O terrorismoé o terrorismo. Nós precisamos continuar com nossos esforçospara erradicá-lo." A capital da Argélia, que integra a Organização dos PaísesExportadores de Petróleo (Opep), já havia sido alvo de umgrande atentado a bomba neste ano. O país tenta recuperar-se deum violento conflito civil iniciado nos anos de 1990 e no qualmorreram até 200 mil pessoas. Segundo testemunhas, Ban chegou a bordo de um comboiofortemente vigiado. Desceu no distrito de Hydra, ondeinspecionou os escombros da casa em que ficavam os escritóriosdo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados(Acnur) e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Os repórteres não puderam acompanhar o secretário-geral navisita ao local. O segundo carro-bomba detonado no dia 11 de dezembroatingiu o prédio da Corte Constitucional, no distrito de BenAknoun. O braço da Al Qaeda que atua no norte da África assumiu aresponsabilidade pelos atentados suicidas, afirmando teratacado os "escravos dos EUA e da França". Durante sua visita, Ban também se reuniu com o presidenteargelino, Abdelaziz Bouteflika, e afirmou que o país e a ONUtinham decidido intensificar a colaboração no combate aoterrorismo. O secretário-geral, que ainda disse ter conversado comBouteflika sobre as mudanças climáticas, a imigração ilegal e aquestão do Saara Ocidental, acrescentou que a ONU esperavamontar novos escritórios em Argel, dentro em breve. "As autoridades argelinas nos garantiram que nos oferecerãoas acomodações adequadas", afirmou. "Eles me disseram que tudoestará pronto o quanto antes." Entre os 17 funcionários da ONU mortos, havia 14 argelinos,um dinamarquês, um senegalês e um filipino. (Reportagem de Abdelaziz Boumzar e Lamine Chikhi)

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