ONU nega crise política e defende eleição do dia 28

A estabilidade política do Haiti não está em risco e o calendário eleitoral do país permanecerá inalterado, afirmam brasileiros que comandam o braço militar da missão da ONU no país. Sob um violento surto de cólera e crescentes protestos, haitianos escolhem no dia 28 seu próximo presidente e renovam dois terços do Senado e toda a Câmara dos Deputados.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

"Não há razões objetivas para a mudança do calendário eleitoral", afirmou ao Estado, por telefone, o porta-voz do batalhão brasileiro no Haiti, coronel Valdir Campelo. O recadastramento de eleitores e a preparação das cédulas já foram concluídos, disse o coronel brasileiro. "E os eleitores poderão ir às urnas sem nenhum problema."  

 

 

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A ONU contesta ainda a informação de que o surto de cólera que já deixou mais de mil mortos tenha sido iniciado por militares nepaleses que integram sua missão de paz.

Nos últimos dias, cresceram rumores de que a bactéria encontrada no Haiti é de origem asiática e teria sido transmitida pelo batalhão do Nepal - alvo dos ataques da noite de segunda-feira. Em resposta à especulação, as Nações Unidas realizaram dois exames - um em Porto Príncipe e outro em Santo Domingo - que comprovariam que a epidemia não foi provocada por suas tropas. "É leviano acusar o batalhão nepalês", insiste Campelo.

Ao Estado, funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha que atuam no Haiti também disseram que não é possível estabelecer uma relação causal entre o fato de a bactéria ser asiática e a presença dos nepaleses.

A missão de paz da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em francês) divide o país em zonas controladas por batalhões de diferentes nacionalidades, sob comando militar geral brasileiro. Os protestos dos últimos dias concentraram-se no norte do Haiti, de responsabilidade direta dos militares nepaleses.

PARA LEMBRAR

O Haiti foi devastado em janeiro por um terremoto de 7 graus na Escala Richter que deixou 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. A tragédia afetou os esforços de reconstrução do país mais pobre das Américas e criou condições propícias para a propagação de doenças.

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