ONU nega ter pedido refúgio para opositores bolivianos

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) negou ontem ter pedido que o governo do Peru concedesse refúgio político para os ex-ministros bolivianos Mirtha Quevedo e Javier Torres Goitia, acusados de participação na morte de pelo 60 pessoas, durante manifestações em La Paz, em 2003.Quevedo tinha dito ao jornal boliviano La Razón que o refúgio concedido a ela e a Torres Goitia tinha respaldo da ONU, mas a agência afirmou ontem não ter sido "consultada ou informada em nenhum momento por instâncias desse governo (Peru) em relação a esses casos". Além de Quevedo e Torres Goitia, o ex-ministro boliviano Jorge Torres Obleas também foi beneficiado como refugiado pelo governo peruano, o que desatou uma escalada de acusações entre os Lima e La Paz nos últimos dias.Os três políticos são acusados na Corte Suprema de Justiça da Bolívia por crimes como genocídio e peculato, cometidos durante o período em que fizeram parte do governo do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003), que renunciou sob a pressão de manifestações contra a exploração de gás natural por empresas estrangeiras.CAMPANHADiante do impasse com Lima, o governo boliviano deu início a uma campanha para convencer diversos países e organismos internacionais a negarem refúgio aos ex-ministros do governo Sánchez de Lozada. O chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que a medida tem a intenção de evitar que a morte dos 60 manifestantes fiquem impunes.

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