ONU nomeia oficialmente brasileiro para o Iraque

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, nomeou hoje, como estava previsto, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, de 55 anos, representante especial da organização no Iraque por um período de quatro meses. Vieira de Mello manterá o posto de alto comissário da ONU para Direitos Humanos, que assumiu em julho do ano passado.Vieira de Mello disse à imprensa em Nova York que sua prioridade será o restabelecimento da segurança no Iraque, porque, sem ela, não será possível avançar em outras questões, como a do desenvolvimento de instituições democráticas no país, uma verdadeira cultura de direitos humanos e um processo político para que os iraquianos decidam seu futuro. Outras metas são a manutenção de boas relações de trabalho com as forças de ocupação e visitas a todas as províncias do país, porque "o Iraque não se limita a Bagdá".Annan destacou que o diplomata brasileiro "tem uma experiência única e excepcional" em operações desse tipo e "é conhecido como um bom criador de equipes e construtor do consenso". O cargo de representante da ONU para o Iraque foi criado na semana passada pela resolução que pôs fim a 13 anos de sanções econômicas contra o país.Doutor em Filosofia e Ciências Humanas pela Sorbonne, em Paris, Vieira de Mello é funcionário de carreira da ONU desde 1969 e nunca teve vínculos com o Ministério de Relações Exteriores do Brasil. Ele atuou por vários anos no órgão da ONU de ajuda aos refugiados, em operações no Paquistão, Sudão, Líbano, Kosovo, Bósnia e Camboja. Destacou-se como administrador interino da ONU em Timor Leste, entre 1999 e 2002.Vieira de Mello era o diplomata preferido dos EUA para ocupar o cargo no Iraque. "Em muitas ocasiões provei minha independência", declarou hoje na entrevista, sustentando que confrontos com grandes potências poderiam ter conseqüências dramáticas. A entidade de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch critica o comportamento do brasileiro no alto comissariado, qualificando-o de "homem de Washington".

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