Abed Hashlamoun/Efe
Abed Hashlamoun/Efe

ONU nomeia relatoras especiais para assentamentos judaicos

Três especialistas vão investigar se há violação dos direitos humanos

Reuters

06 de julho de 2012 | 17h49

GENEBRA - A ONU nomeou nesta sexta-feira, 6, três especialistas que irão investigar se os assentamentos judaicos nos territórios palestinos violam leis de direitos humanos. O grupo é composto pela juíza francesa Christine Chanet (chefe), pela advogada paquistanesa Asma Jahangir, e pela juíza Unity Dow, de Botsuana. No mês passado, Jahangir foi alertada sobre um complô para assassiná-la.

Veja também:

blog CHACRA: Obama foi o pior presidente para a paz entre israelenses e palestinos?

blog RADAR GLOBAL: Militar israelense é filmado agredindo criança palestina

O Conselho de Direitos Humanos da ONU iniciou a investigação em março. O organismo disse que os planos de Israel para construir novas unidades habitacionais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental abala o processo de paz e constitui uma ameaça à criação de um Estado palestino que coexista pacificamente com Israel.

Também nesta sexta-feira, Israel condenou a investigação, dizendo em nota da chancelaria que o país está sendo discriminado no Conselho de Direitos Humanos, e que não autorizará o acesso das especialistas a Israel e aos territórios palestinos.

A uruguaia Laura Dupuy Lasserre, presidente do Conselho, anunciou o nome das investigadoras após realizar consultas entre os países integrantes, segundo diplomatas. Como o trio não terá acesso aos assentamentos, provavelmente terá de colher informações de segunda mão, inclusive relatos da imprensa.

Mesmo que as relatoras concluam que os assentamentos violam os direitos humanos, os EUA devem vetar qualquer tentativa de punir seu aliado Israel por isso.

Cerca de 500 mil israelenses e 2,5 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas que Israel capturou na guerra de 1967, e que são reivindicadas pelos palestinos como parte do seu eventual Estado, junto com a Faixa de Gaza.

Os palestinos dizem que os assentamentos, considerados ilegais pela Corte Internacional de Justiça, principal órgão arbitral da ONU, lhes impede de ter um Estado viável. Israel cita vínculos históricos e bíblicos com a Cisjordânia, e diz que o status dos assentamentos deve ser decidido em negociações de paz.

Na segunda-feira, Richard Falk, relator especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, disse em entrevista coletiva que a aceleração na ampliação dos assentamentos "fechou o livro" da solução com dois Estados. "A posição palestina fica cada vez mais fraca com o passar do tempo, e os israelenses conseguem cada vez mais um fato consumado por meio das suas atividades ilegais", disse ele.

"Seria só uma tática protelatória que permite que os israelenses ampliem os assentamentos, ampliem a população assentada, derrubem cada vez mais casas e estruturas palestinas e realizem um programa que assumiu tais proporções que a linguagem da limpeza étnica é a única forma de descrever mudanças demográficas em Jerusalém Oriental?"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.