ONU pede à Europa que receba mais refugiados sírios

A Europa deveria abrir suas portas para mais refugiados sírios, pois acolheu apenas um número "minúsculo" enquanto os países vizinhos da Síria chegaram ao "ponto de saturação", disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nesta sexta-feira.

TOM MILES, REUTERS

11 de julho de 2014 | 13h03

Os refugiados sírios, cujo número deverá passar de 3 milhões nas próximas semanas, estão quase todos no Líbano, Jordânia e Turquia, com grupos menores no Iraque e no Egito. Mas isso está mudando, disse a porta-voz da agência da ONU, Melissa Fleming.

"A tendência é óbvia agora. Eles estão se movendo para além dos países vizinhos. Os países vizinhos atingiram o ponto de saturação. Muitos sírios procuram agora refúgio na Europa, e estamos pedindo à Europa para fazer mais."

Em mais de três anos de guerra poucos sírios chegaram à Europa continental. Houve 123.600 pedidos de asilo, principalmente para a Suécia e Alemanha, mas esse número inclui dupla contagem, uma vez que alguns solicitaram asilo em diversos países.

"Em relação aos 2,9 milhões de refugiados que estão nos países ao redor da Síria, esses números são pequenos, na verdade eles são minúsculos. Representam apenas 4 por cento dos refugiados sírios", disse Fleming em uma entrevista coletiva em Genebra.

"Só para colocar isso em perspectiva, a Europa tem uma população de 670 milhões de pessoas. Em comparação, o Líbano tem uma população de 4,4 milhões de pessoas e recebeu 1,1 milhão de refugiados."

Embora a União Europeia (UE) seja a principal fornecedora de ajuda humanitária na Síria, alguns países do continente têm condições "terríveis" para receber refugiados. Alguns países os prenderam e outros - Bulgária, Espanha e Grécia - vêm tentando rejeitá-los antes de desembarcarem em seu território, viajando em barcos incapazes de navegar.

(Reportagem de Tom Miles)

Tudo o que sabemos sobre:
ONUSIRIAREFUGIADOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.