ONU pede a grupos afegãos rapidez sobre novo governo

O porta-voz da ONU para o Afeganistão, Ahmad Fawzi, afirmou hoje que grupos afegãos têm de decidir rapidamente sobre uma força de segurança e uma administração interina, em meio a temores de que a queda de Kandahar, o último bastião do Taleban, possa deflagar uma luta interna entre as facções que compõem a Aliança do Norte. As quatro delegações afegãs que darão início nesta terça-feira a uma conferência sobre o futuro do Afeganistão às margens do rio Reno estão sob forte pressão internacional para chegarem a um consenso, com 18 nações, entre elas os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, exercendo sua influência nos corredores. Um alto funcionário norte-americano advertiu hoje que as facções afegãs só receberão ajuda para reconstruir o país destroçado pela guerra caso concordem com um governo de amplas bases. "Até que haja um governo que seja amplamente representantivo e reconhecido por nós, não haverá qualquer assistência para reconstrução", afirmou o funcionário, que pediu para não ser identificado. O porta-voz da ONU disse que as Nações Unidas não estavam impondo condições aos afegãos. "É a escolha deles. Eles sabem o que a comunidade internacional tem para oferecer", afirmou Fawzi. "Sem paz não haverá desenvolvimento. Sem paz não haverá investimento". Quatro delegações representando a Aliança do Norte e o antigo rei Mohammad Zaher Shah, assim como dois grupos de exilados baseados no Chipre e em Peshawar, começam a discutir amanhã a formação de uma administração de transição e uma força de segurança para policiar o Afeganistão após o Taleban. As rápidas mudanças ocorrendo no front afegão nos últimos dias tornaram mais urgente a chegada a um rápido consenso, em meios a temores de que milícias locais possam passar a lutar entre si pelo poder. Com a queda da cidade de Kunduz para a Aliança do Norte no domingo, e os combates se aproximando do bastião taleban de Kandahar, nenhum dos mais importantes senhores da guerra participam da conferência. O líder da Aliança do Norte, Burhanuddin Rabbani, enviou o ministro do Interior em exercício, Yunus Qanooni. Outra destacada figura, o rei Zaher Shah, permaneceu no exílio em Roma - onde se encontra desde 1973. "Sua Majestade está acima de tais encontros. Seu papel é de uma figura paterna", disse Mostapha Zaher, neto do antigo rei, que faz parte da delegação. Existe uma grande pressão sobre os afegãos para que produzam resultados. Se eles não conseguirem chegar a um acordo e se afundarem numa nova rodada de conflitos entre facções, o mundo pode mais uma vez perder o interesse no Afeganistão. O país está sem uma autoridade central, um sistema legal e a maioria das funções governamentais desde que o Taleban abandonou a capital em 13 de novembro. Os afegãos têm vívidas memórias das lutas entre facções de 1992 a 1996, que destruíram grande parte de Cabul e mataram dezenas de milhares de civis. Muitos dos grupos armados rivais que protagonizaram tais lutas estarão sentados frente a frente amanhã. Havia rumores de que talebans moderados seriam incluídos nas negociações. Mas o chefe da delegação de Chipre, Houmayoun Jareer, disse ao chegar para a conferência de Bonn que eles são uma página virada na história do Afeganistão. Apesar de não haver um grupo único falando por todos os pashtuns, a maior etnia do Afeganistão, pelo menos três das delegações em Bonn incluíram pashtuns. "Você não pode resolver todos os problemas dos últimos 22 anos aqui, mas é um bom começo", afirmou Mostapha Zaher, neto do antigo rei. Ele disse que as conversações privadas com o Grupo do Chipre no domingo foram "encorajadoras" e que ele planejava se reunir com a delegação da Aliança do Norte assim que ela chegasse na terça-feira. Se a conferência for bem sucedida, o Afeganistão poderia ter seu primeiro governo estável desde a década de 70, e a comunidade internacional está disposta a conceder centenas de milhões de dólares, talvez bilhões, para a miserável nação desesperada por ajuda para a reconstrução. "Esta é uma oportunidade de ouro para o Afeganistão", disse Fawzi. Leia o especial

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