ONU pede a milícia congolesa que liberte mantenedores de paz

Um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou nesta terça-feira a informação de que milicianos congoleses seqüestraram sete mantenedores de paz da entidade e pediu aos captores que os libertem ilesos ou "enfrentem as conseqüências".Na manhã de domingo, a ONU perdeu o contato com sete soldados nepaleses de suas forças de paz no nordeste da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire). No mesmo dia, um soldado da ONU morreu e três ficaram feridos durante operação militar na região.De acordo com Kemal Saiki, o porta-voz da ONU, os soldados nepaleses foram capturados por uma milícia liderada pelo senhor da guerra Peter Karim em Ituri, uma província rica em recursos minerais onde o Movimento Revolucionário Congolês tenta impedir que as forças da ONU garantam as condições de segurança para a realização de eleições."A milícia deve libertar (os soldados) ilesos e incondicionalmente. Caso contrário, terão de enfrentar as conseqüências", disse Saiki em Kinshasa. "Consideramos Peter Karim pessoalmente responsável (pela vida) de nossos mantenedores de paz", prosseguiu.Saiki comentou ainda que funcionários da ONU mantiveram contatos "indiretos" com assessores de Karim, mas não entrou em detalhes.O contato com os soldados seqüestrados foi perdido no domingo, durante uma operação realizada numa área situada cem quilômetros a nordeste de Bunia, a capital regional, disse Saiki.Os mantenedores de paz procuravam por milicianos do Movimento Revolucionário Congolês durante uma ofensiva militar do governo apoiado pela ONU na região.O Movimento Revolucionário Congolês é uma coalizão de milícias locais disposta a impedir que a ONU garanta condições ideais de segurança na região de Ituri a tempo da realização das eleições previstas para 30 de julho. Se a votação ocorrer, será o primeiro pleito em quatro décadas no país africano.Entre 1998 e 2002, uma guerra no Congo envolveu exércitos de seis países vizinhos. O objetivo da eleição é colocar um fim à violência política que levou ao sangrento conflito.

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