ONU pede abertura de fronteiras para refugiados do Iraque

A ONU pede que os países vizinhos ao Iraque abram suas fronteiras para receber os refugiados de Bagdá, caso haja uma guerra contra o regime de Saddam Hussein. A perspectiva das Nações Unidas é de que 900 mil pessoas deixem o Iraque assim que a guerra começar, número que poderia duplicar caso o conflito continue por alguns meses. A ONU fez pedidos para os que os governos do Irã, Turquia, Jordânia e Síria não impeçam que refugiados iraquianos cruzem as fronteiras. Os países, porém, ainda não deram uma resposta oficial. O principal temor dos vizinhos é de que não tenham como dar assistência aos refugiados, que iriam às grandes cidades da região em busca de trabalho. O próprio governo dos Estados Unidos sabe que uma guerra irá gerar refugiados e deu, no mês passado, US$ 15 milhões para que a ONU se prepare para o desafio. Durante a guerra no Afeganistão, no ano passado, os iranianos abriram suas fronteiras aos refugiados, mas o Paquistão recusou o pedido da ONU. Mesmo assim, 250 mil afegãos conseguiram entrar no país. "Entendemos que alguns países tenham dificuldades em aceitar abrir suas fronteiras, mas pedimos que isso seja feito para que a vida de muitos seja poupada", afirma um funcionário das Nações Unidas. Enquanto a ONU negocia com os países da região a abertura de suas fronteiras, as agências humanitárias já se posicionam para dar alimentos e remédios aos refugiados. Seis mil toneladas de alimentos da ONU estão espalhados entre a Turquia, Irã e Síria. Além disso, unidades médicas estão sendo estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde nos principais pontos da fronteira. A Unicef também prevê a vacinação de 4 milhões de crianças iraquianas contra o pólio antes do final deste mês. "Estamos indo de porta em porta para garantir a vacinação", afirma a porta-voz da entidade, que alerta que, em caso de guerra, a saúde das crianças deve ser a primeira vítima.

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