ONU pede ajuda do Brasil para os refugiados do Líbano

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) fará um apelo para que o governo brasileiro assuma os custos com a manutenção dos 4.000 refugiados estrangeiros no Brasil, de US$ 780.000, para que os recursos possam ser destinados à ajuda humanitária no Líbano. O representante do Acnur no Brasil, Luiz Varese, informou que vai apresentar o pedido nos próximos dias ao Itamaraty. Vai, também, aconselhar a sociedade brasileira a evitar a coleta de suprimentos - que gera custos adicionais de transporte e de logística - e a preferir o envio de doações financeiras às vítimas.O Acnur estima que a assistência humanitária aos libaneses exigirá a coleta de US$ 18 milhões em todo o mundo, dos quais US$ 7,8 milhões seriam destinados à construção de abrigos e à distribuição de itens. Na semana passada, António Guterres, alto comissário e ex-primeiro-ministro de Portugal, fez um apelo mundial em favor de doações, reiterado hoje por Varese. No orçamento regular do Acnur, apenas 2% das verbas são provenientes das Nações Unidas. O restante é obtido por meio de contribuições."A situação no Líbano é verdadeiramente trágica, do ponto de vista humanitário, e tende a piorar nos próximos meses, com a chegada do inverno. Os custos das operações de ajuda triplicam nesse período", afirmou Varese. "A guerra, por si, é um horror. Mas, nesse caso, não se pode falar em dano colateral. A população civil é o alvo", completou.Os dados do Acnur mostram que 880.000 libaneses deixaram suas casas - algo como 19,5% da população do país. No Sul libanês, a proporção é de três em quatro habitantes. Pelo menos 100.000 pessoas necessitam de ajuda humanitária direta e emergencial. Além disso, cerca de 2.000 cidadãos cruzam diariamente a fronteira com a Síria, em busca de refúgio, o que eleva o número de pessoas que precisam ser assistidas.Segundo Varese, o Acnur conseguiu enviar para o Líbano cinco comboios com kits de cozinha, colchões e cobertas, em veículos utilitários, num total de 180 toneladas de produtos. A dificuldade de envio de um volume maior de itens está na impossibilidade de acesso de caminhões, por causa da destruição de estradas, e na insegurança. A Cruz Vermelha Internacional e a organização Médicos Sem Fronteiras conseguiram entrar no país pelo litoral.No Brasil, as doações para as vítimas do conflito devem ser depositadas na conta corrente do Acnur, número 9003061-9, na agência 1515 do Banco Sudameris, CNPJ 07.100.754/0001-62. Outra opção é o depósito de contribuições na conta corrente aberta pelo Consulado do Líbano em São Paulo, número 200.004-0, na agência 1606-3 do Banco do Brasil.O embaixador Everton Vargas, chefe de gabinete da Secretaria-Geral do Itamaraty, informou que 2.250 brasileiros foram resgatados do Líbano, dos quais 1.426 já foram transladados ao Brasil. Amanhã, um dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) deverá decolar de Adana, na Turquia, levando 15 mil kits de medicamentos e uma equipe médica a Damasco. Esse mesmo vôo retornará ainda na sexta-feira com 70 brasileiros em situação de emergência.Outro avião da FAB, com 150 lugares, deixará Adana no sábado. Vargas informou ainda que, além da TAM e da Gol, a companhia aérea BRA decidiu colaborar no resgate dos brasileiros que estão alojados em Damasco. O primeiro vôo da BRA deixará Damasco na segunda-feira com 250 passageiros.

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