ONU pede ajuda rápida para o Paquistão

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu neste domingo que o mundo acelere a ajuda para as vítimas das enchentes no Paquistão, visto que 20 milhões de pessoas estão desabrigadas e novas enchentes inundaram os vilarejos do país.

AE-AP, Agência Estado

15 de agosto de 2010 | 19h33

Ban Ki Moon disse que o desastre causado pelas cheias no Paquistão é o maior que já viu em sua vida. "Já visitei várias cenas de desastres naturais no passado em muitas partes do mundo, mas não vi nada como isso".

O secretário-geral da ONU contou que está no Paquistão para acompanhar os trabalhos de resgate e recuperação em meio às piores cheias no país em oito décadas, que já deixaram mais de 1.600 pessoas mortas e afetaram dezenas de milhões.

"A escala deste desastre é tão grande, tantas pessoas em tantos lugares, necessitando de tanto. Quase um em cada dez paquistaneses foi afetado direta ou indiretamente", disse Ban, que pediu neste domingo urgência no envio de ajuda internacional.

A distribuição de alimentos, que estava sendo entregue por um veículo de ajuda humanitária perto da cidade de Sukkur, na província de Sindh - a mais atingida pelas chuvas - foi suspensa, depois que os sobreviventes brigaram entre si pelos alimentos, rasgando as roupas uns dos outros e provocando um enorme caos.

"A impaciência das pessoas nos privou da pouca comida que estava chegando", afirmou Shaukat Ali, uma das vítimas das enchentes que aguardavam pelos alimentos.

As piores enchentes já enfrentadas pelo país deixaram até agora 1.500 pessoas mortas e destruíram 3,2 milhões de hectares de culturas de algodão, açúcar, cana e trigo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para as terríveis consequências econômicas ao país, já dependente de ajuda externa para manter sua economia.

A ONU pediu por uma ajuda inicial de US$ 460 milhões para as vítimas das enchentes no Paquistão, mas somente 20% do valor foram enviados ao país. Ban Ki-moon visitou o Paquistão neste domingo para observar a área atingida pelas inundações e reunir-se com líderes governamentais que foram criticados pela sua reposta ao desastre.

"Eu estou aqui para ver o que mais precisa ser feito e pedir à comunidade internacional para que acelere a ajuda à população do Paquistão", afirmou o secretário-geral da ONU.

Águas de um metro e meio varreram a cidade de Derra Allah Yar, na fronteira entre as províncias de Sindh e Baluchistan, onde vivem 300 mil pessoas, disse Salim Khoso, funcionário do governo local. Cerca de 200 mil pessoas abandonaram a região. "Nós precisamos alimentá-los, mas não sabemos como", afirmou Khoso.

Em uma declaração transmitida na televisão, o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, declarou que 20 milhões dos 180 milhões de habitantes do país estavam desabrigados. Muitos deles poderão retornar para suas casas assim que as enchentes acabarem.

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