ONU pede ajuda urgente para Paquistão

Fuga em massa. Vítimas das enchentes tentam salvar seus pertences na província paquistanesa de Sindh           

AP, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2010 | 00h00

 

 

 

 

 

ISLAMABAD

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse ontem, em visita ao Paquistão, onde 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas chuvas e enchentes dos últimos 15 dias, que nunca presenciou um desastre natural como esse.

Chocado com o alcance da tragédia que já afeta um quarto do território paquistanês, Ban fez um apelo para que os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) enviem de forma urgente a ajuda humanitária e as doações em dinheiro. Dos US$ 460 milhões solicitados pela organização, apenas 20% foram depositados até agora.

"Isso tem sido muito doloroso para mim. Nunca esquecerei da destruição e do sofrimento que presenciei hoje (ontem). Eu já havia visto antes muitos desastres naturais no mundo, mas nada como isso", disse Ban, depois de sobrevoar parte da área atingida em companhia do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari.

Dependência. Além do desastre natural que já provocou a morte de mais de 1.500 pessoas, o Paquistão também sofre com a ação de grupos radicais como a Al-Qaeda e o Taleban e com os frequentes bombardeios americanos na fronteira com o Afeganistão, além de ter um governo acusado de corrupção endêmica e de uma economia que só sobrevive graças à ajuda internacional.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que, depois que as chuvas passarem, serão necessários anos de reconstrução e um fluxo ainda maior de recursos para que os país possa voltar a, pelo menos, ser o que era antes da tragédia. Para o FMI, os próximos anos serão marcados por baixo crescimento, inflação e desemprego no Paquistão.

"As inundações devem ser respondidas com uma onda de apoio global. Estou aqui para pedir ao mundo que aumente sua assistência", disse Ban. Zardari, por sua vez, visitou as áreas afetadas somente depois de ser criticado por ter viajado para a Europa no auge do desastre.

Alcance da catástrofe

1.500

pessoas morreram nos últimos 15 dias por causa das inundações

20 milhões

de paquistaneses foram afetados pelo pior desastre natural da história do país. O número representa mais que o dobro do registrado no tsunami de 2004

US$ 460

milhões é quanto a ONU necessita para levar ajuda humanitária às vítimas da tragédia, mas só 20% desse montante foi doado até agora

36 mil

pessoas já sofrem de diarreia crônica no Paquistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.