AAREF WATAD / AFP
AAREF WATAD / AFP

ONU pede corredores humanitários para refugiados sírios em Idlib

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, pediu ao governo da Síria uma forma para retirar civis que estão no meio do confronto entre o exército e insurgentes no país

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 13h17

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, disse estar horrorizada com a violência na região noroeste da Síria e pediu a criação de corredores humanitários, anunciou a instituição nesta terça-feira, 18.

 

Na segunda-feira, 17, o Exército sírio consolidou o controle da região que era dominada por insurgentes. Bachelet pediu ao governo sírio e a seus aliados que autorizem uma via de escape para "facilitar a passagem de civis em total segurança".

O acirramento das tensões entre as tropas do governo sírio e os rebeldes que lutam contra a ditadura de Bashar Assad levou ao menos 832 mil pessoas a deixarem a Província de Idlib, desde o início de dezembro, segundo relatório da ONU. A organização calcula que, desse total, 700 mil sejam mulheres e crianças.

 

Desde dezembro, o exército do governo de Bashar al-Assad faz uma ofensiva para recuperar o controle do último grande reduto dos jihadistas e rebeldes, a região de Aleppo, no noroeste do país. 

 

"Nenhum refúgio é seguro. E como a ofensiva do governo continua e as pessoas são forçadas a permanecer em zonas cada vez menores, temo que outras pessoas sejam assassinadas", disse Bachelet.

 

"Como é possível alguém justificar tais ataques indiscriminados e desumanos?", questionou Bachelet.

 

Procurado pela AFP, o porta-voz de Bachelet, Rupert Colville, explicou que os corredores humanitários devem permitir aos "civis que desejam" a possibilidade de abandonar as zonas de conflito.

 

Bachelet se declarou "alarmada com o fracasso da diplomacia" na crise síria e considerou que "deveria colocar à frente a proteção dos civis a qualquer vitória política ou militar".

"Condeno nos termos mais enérgicos a persistente impunidade nas violações do direito internacional humanitário cometidas pelas diferentes partes em conflito", destacou.

 

Iniciada em março de 2011 com a repressão de manifestações pacíficas, a guerra da Síria deixou mais de 380 mil mortos.

Ofensiva do exército sírio

O exército da Síria anunciou na segunda-feira, 17, que tomou controle de dúzias de cidades na região de Aleppo, e que vai fazer uma campanha para acabar com grupos militantes “onde quer que eles estejam”.

 

As forças do presidente Bashar al-Assad avançaram e forçaram os insurgente ao longo de uma rodovia que liga Aleppo a Damasco. Essa é a rota mais rápida entre as duas maiores cidades do país.

Os refugiados enfrentam temperaturas próximas de zero grau, levando os poucos pertences que conseguem em ônibus, carros e caminhões. A ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, que trabalha com base no Reino Unido e em observadores na Síria, estima que apenas na semana passada foram mais de 100 mil deslocamentos.

Com o avanço dos soldados sírios, aliados do presidente russo, Vladimir Putin, milhares de sírios seguem fugindo das ofensivas rumo ao norte do país, região considerada mais segura. Na avaliação da ONU, a maior urgência é instalar agora abrigos para receber esse grande número de refugiados.

A fronteira turca está aberta para quem entra na Síria, mas fechada para quem quer sair. As autoridades turcas vêm alertando há meses que não podem lidar com um novo fluxo de refugiados, mas a ofensiva do regime sírio em Idlib pode levar quase 3 milhões de pessoas a atravessar a fronteira da Turquia, que já abriga quase 4 milhões de refugiados sírios.

O porta-voz do Escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês) na Síria, David Swanson, afirmou que a situação está "fora de controle". Em nove meses de ofensiva, mais de 1,5 mil civis foram mortos na região - número que deve aumentar se a situação seguir assim.

O regime de Assad acusa os turcos de manterem tropas no noroeste do território sírio e de darem suporte aos grupos opositores, o que vem elevando a tensão entre os vizinhos. Na semana passada, pelo menos 55 soldados do Exército sírio foram mortos nos últimos ataques da Turquia na Província de Idlib, localizada próxima à fronteira turca. / AFP e REUTERS

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