ONU pede debate mais sofisticado sobre biocombustíveis

Os países devem adotar uma abordagem muito mais sofisticada no desenvolvimento de biocombustíveis como uma opção de energia verde se quiserem beneficiar a economia, o meio ambiente e a sociedade como um todo, disse a Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira.

DANIEL WALLIS, REUTERS

16 de outubro de 2009 | 07h24

Os biocombustíveis são produzidos principalmente em lavouras de alimentos, como trigo. milho, cana-de-açúcar e óleos vegetais e seus defensores argumentam que eles são uma boa maneira de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, que contribuem com a mudança climática.

Críticos, por outro lado, afirmam que os biocombustíveis, na verdade, pioram a situação ao levar à destruição de ecossistemas, oferecer economia de energia limitada e ao tirar as lavouras de uma cadeia de alimentos que já sofre para atender a demanda da crescente população mundial.

Um importante relatório do programa da ONU para o Meio Ambiente (Unep) divulgado nesta sexta-feira afirmou que, como todas novas tecnologias, os biocombustíveis apresentam oportunidades e desafios.

"Por essa razão um debate mais sofisticado é urgentemente necessário", disse o diretor-geral do Unep, Achim Steiner, a repórteres.

"Em um nível, é um debate sobre quais lavouras de energia produzir e onde, e também sobre a maneira que diferentes países e empresas de biocombustíveis promovem e gerenciam a produção... Algumas são claramente favoráveis ao clima, outras são altamente questionáveis."

Steiner disse também que esse debate envolve uma escolha sobre como usar recursos fundiários limitados e equilibrar interesses competitivos em um mundo com 6 bilhões de pessoas, número que deve subir para 9 bilhões até 2050.

"O relatório deixa claro que os biocombustíveis têm um papel a desempenhar no futuro, mas também enfatiza que podem existir opções melhores para combater a mudança climática, melhorar o modo de vida rural e conseguir o desenvolvimento sustentável que pode, ou não, transformar mais plantações e os restos de plantações em combustíveis líquidos."

O estudo, o primeiro do Painel Internacional para o Gerenciamento de Recursos Sustentáveis do Unep, afirma que alguns biocombustíveis de primeira geração, como o etanol de cana-de-açúcar, podem ter impactos positivos em termos de emissões de gases causadores do efeito estufa.

Mas o documento acrescenta que a maneira que os biocombustíveis são feitos determinam se eles levarão a menores emissões ou se piorarão a situação.

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