Wolfgang Rattay/REUTERS
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ONU pede doaçõs de US$ 415 milhões para socorrer o Nepal

Recursos são utilizados para garantir abrigo, água, remédios e alimentos nos próximos meses; valor não incluiu montante necessário para reconstruir país

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 10h34

GENEBRA - As Nações Unidas fazem um apelo internacional para que doações de US$ 415 milhões sejam feitas de forma urgente para atender as vítimas do terremoto no Nepal. O objetivo dos recursos será o de garantir abrigo, água, remédios e alimentos para os atingidos pelo tremor nos próximos três meses. O apelo da ONU, porém, não inclui o dinheiro que seria necessário para reconstruir o país, que pode ter perdido 20% de seu PIB. 

De acordo com os últimos números oficiais, mais de 5 mil pessoas morreram e mais de 11 mil estão feridas. Cerca de 70 mil casas foram destruídas e outras 530 mil foram seriamente afetadas. "Milhões de pessoas precisam de alimentos", alerta a ONU.


Uma operação humanitária entrou em vigor. Mas, diante da dificuldade de chegar às áreas mais remotas e da falta de um governo local forte, as críticas se acumulam por conta da demora. "Garantir uma intervenção rápida é essencial", declarou o representante da ONU no Nepal, Jamie McGoldrick. Ele também fez um apelo para que a ajuda internacional seja acelerada. "Esforços precisam ser incrementados para garantir que a assistência vital chegue a todos os afetados, principalmente nas áreas mais remotas", disse. 

Com os mais de US$ 400 milhões, a ONU espera construir abrigos para 500 mil pessoas e dar assistência para um total de 4,2 milhões de habitantes. Desses, 2,1 milhões são crianças. Alimentos para 1,4 milhão de pessoas terão de ser distribuídos nos próximos meses. 

As autoridades também correm contra o tempo, já que querem garantir o socorro à população antes que o período de chuvas chegue ao país. 

Atrasos. Desde terça-feira, a ONU vem realizando viagens diretas de seus centros de abastecimento até o Nepal, na esperança de levar barracas e até sacos para colocar os corpos das vítimas. No entanto, o congestionamento no aeroporto de Katmandu está obrigado até mesmo aviões a darem meia-volta. "Essa é uma corrida contra o tempo ", declarou Jens Laerke, porta-voz da Agência de Coordenação Humanitária da ONU. "Muitos voos levando ajuda para Katmandu foram obrigados a voltar, simplesmente por falta de um lugar para pousar", disse Laerke.

Segundo o Programa Alimentar Mundial, um de seus aviões já estava carregado em Dubai, mas não conseguia partir por falta de garantias de onde poderia pousar e estocar os alimentos. Dentro do país, o acesso até as pessoas mais necessitadas também impede a distribuição de ajuda da ONU. 

"As estradas estão bloqueadas e, mesmo onde existe espaço, motoristas se recusam a viajar temendo serem atingidos por avalanches", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do Programa Alimentar Mundial. Segundo ela, sua agência está tentando usar helicópteros e aviões menores para chegar a áreas mais remotas. 

Rick Brennan, chefe da unidade de emergência da Organização Mundial da Saúde, alertou na terça-feira para o risco de que, se a ajuda não chegar rapidamente, o número de vítimas pode disparar. 

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