ONU pede fim do embargo a Cuba; EUA e Israel votam contra

Decisão americana foi reversão do voto inédito de 2016, quando país se absteve; mudança visa 'ressaltar novo enfoque para Cuba', afirmou porta-voz

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 15h30

NOVA YORK - A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas adotou nesta quarta-feira, 1º, pelo 26º ano consecutivo, uma resolução que pede o fim do embargo imposto há meio século pelos Estados Unidos contra Cuba, em uma votação que recebeu 191 votos a favor. 

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A delegação dos EUA, que no ano passado se absteve, desta vez se manifestou contra a resolução e foi acompanhada nesta posição apenas por Israel. Não houve abstenção neste pleito. 

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Na terça, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, antecipou que a delegação dos EUA seria contra o fim do embargo. "A embaixadora (americana na ONU, Nikki) Haley, reverterá a abstenção que foi emitida no ano passado e votará contra a resolução", anunciou. 

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Segundo ela, o voto contrário tem como objetivo "ressaltar o novo enfoque para Cuba" do presidente americano, Donald Trump, que consiste em "dar uma maior ênfase ao apoio aos direitos humanos e à democracia" na ilha ao mesmo tempo que são mantidos "aspectos da relação que servem aos interesses dos EUA".

A porta-voz lembrou que "historicamente" os Estados Unidos "votaram contra" essa resolução que o governo cubano promove a cada ano desde 1992 e só em 2016 o governo Obama decidiu mudar a posição e se abster.

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A resolução recebe ano após ano um amplo apoio dos países-membros das Nações Unidas e, em setembro de 2016, foi aprovada com 191 votos a favor, nenhum contra e duas abstenções, de EUA e Israel. / AFP

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