ONU pede fim imediato da repressão em Mianmar

Mesmo com pedido das Nações Unidas, Tailândia nega uma intervenção militar no vizinho para conter repressão

Efe,

15 de outubro de 2007 | 07h37

O enviado especial da ONU para Mianmar (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, pediu, nesta segunda-feira, 15, que a Junta Militar birmanesa interrompa "imediatamente" as detenções de membros da oposição democrática.   Veja também: Entenda a crise e o protesto dos monges    Durante viagem à Tailândia, Gambari disse aos jornalistas em Bangcoc, após sair de uma reunião com o ministro de Relações Exteriores do país, Nitya Pibulusonggram, que a perseguição de opositores feita pelo regime militar do país vizinho "vai contra o acordo alcançado entre a ONU e Mianmar".   Após reunir-se com o chanceler tailandês, Gambari encontrou-se com o primeiro-ministro interino do país, Surayud Chulanont, também para tratar da crise birmanesa. Antes, premiê disse que seu governo não executará nenhum tipo de ação unilateral contra a os militares, mas respaldará as iniciativas tomadas no marco da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), à qual pertencem Mianmar e Tailândia.   Bangcoc gasta anualmente cerca de US$ 2 bilhões na compra de gás natural birmanês, praticamente a metade do valor total das exportações de Mianmar.   Chulanont informou que qualquer medida do atual governo interino criará problemas para o sucessor, que será escolhido nas eleições legislativas, previstas para 23 de dezembro.   Durante sua visita a Mianmar, Gambari encontrou-se com a líder da oposição e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliar desde 2003 e com quem a junta militar se comprometeu a estabelecer canais de comunicação caso ela deixe de promover o boicote econômico e comercial da comunidade internacional.   No entanto, a organização pró-direitos humanos Anistia Internacional denunciou no sábado que soldados birmaneses continuam detendo os líderes dos protestos.   As autoridades de Mianmar admitiram que dez pessoas morreram durante a repressão das manifestações e que cerca de 2.700 manifestantes foram detidos. No entanto, fontes da dissidência calculam que o número de mortos chega a 200 e que os detidos ultrapassam os 6.000.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmarprotesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.