Arshad Arbab / EFE / EPA
Arshad Arbab / EFE / EPA

ONU pede 'flexibilização' de sanções contra países afetados pelo coronavírus

Michelle Bachelet insistiu em particular na situação do Irã, um dos países mais afetados pelo novo coronavírus junto à Itália, China e Espanha

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 20h09

GENEBRA - A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça-feira, 24, que as sanções econômicas impostas a países como Irã, Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte sejam relaxadas ou suspensas "neste período crucial" de pandemia de coronavírus.

"É necessário aplicar derrogações amplas e pragmáticas por razões humanitárias (...) e acordar autorizações rápidas e flexíveis para obter bens e equipamentos médicos essenciais", afirmou Bachelet.

"Neste período crucial, tanto por razões de saúde pública global quanto para apoiar os direitos e as vidas de milhões de pessoas nesses países, as sanções setoriais precisam ser relaxadas ou suspensas. Nesse contexto de pandemia, dificultar os esforços médicos em um país aumenta os riscos para todos nós", acrescentou.

Bachelet insistiu em particular na situação do Irã, um dos países mais afetados pelo novo coronavírus junto à Itália, China e Espanha, e sobre o impacto das sanções nesse país para ter acesso a medicamentos e equipamentos médicos, como respiradores e roupas de proteção para profissionais da saúde. 

Segundo Bachelet, 50 profissionais da saúde iranianos morreram desde que os primeiros casos foram detectados, há cinco semanas.

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A comissária também está preocupada com a disseminação do vírus para países vizinhos como o Afeganistão ou o Paquistão.

Além disso, em Cuba, Coreia do Norte, Venezuela e Zimbábue, as sanções podem dificultar o trabalho médico, segundo Bachelet. "A maioria desses Estados possui sistemas de saúde frágeis ou instáveis. É essencial progredir no campo dos direitos humanos para melhorar esses sistemas", acrescentou. 

Segundo o último balanço estabelecido pela agência France-Presse com base em dados oficiais, o novo coronavírus deixou 16.961 mortos em todo o mundo desde o surgimento, em dezembro./AFP

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