Michael Tewelde/AFP
Michael Tewelde/AFP

ONU pede 'imunidade' contra 'vírus do ódio' desenvolvido durante pandemia

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres pediu a líderes políticos e religiosos, instituições educacionais, mídia e sociedade civil que parem com essa tendência

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 03h39

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo global nesta sexta-feira, 8, para coibir e combater o discurso de ódio que se espalhou paralelamente à propagação da pandemia da covid-19.

"Devemos agir agora para fortalecer a imunidade de nossas sociedades contra o vírus do ódio. Portanto, hoje peço que não sejam poupados esforços para erradicar o discurso do ódio em todo o mundo", disse, após alertar que "a pandemia continua desencadeando uma onda de ódio e xenofobia, procurando bodes expiatórios e fomentando o medo".

Numa época em que, segundo o secretário-geral , é preciso "todo o mínimo de solidariedade" para enfrentar a pandemia, houve um aumento do sentimento xenófobo na internet e nas ruas, das teorias da conspiração antissemitas e dos ataques a muçulmanos.

"Migrantes e refugiados foram considerados como fonte do vírus e imediatamente tiveram acesso negado a tratamento médico", denunciou o mais alto representante da organização multilateral. Ele também lamentou que tenha surgido uma ideia "desprezível" sobre os idosos, que estão entre as vítimas mais vulneráveis, sugerindo que eles são os mais dispensáveis.

Jornalistas, profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e defensores de direitos humanos "estão sendo atacados simplesmente por fazerem seu trabalho", acrescentou o político português. Guterres pediu aos líderes políticos, instituições educacionais, mídia, sociedade civil e líderes religiosos que parem com essa tendência.

"E peço a todas as pessoas, onde quer que estejam, que se oponham ao ódio, se tratem com dignidade e aproveitem qualquer ocasião para espalhar bondade", concluiu Guterres, que já no ano passado lançou um plano de ação para combater "a pandemia do discurso do ódio", sobre a expansão de que muitos centros de estudos e ONGs em todo o mundo também alertaram. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.