ONU pede inquérito sobre morte de Vieira de Mello no Iraque

Um investigador da Organização dasNações Unidas (ONU) pediu na quarta-feira a abertura de uminquérito especial sobre o assassinato de 20 funcionários daentidade em Bagdá, em 2003, entre os quais o então altocomissário para os Direitos Humanos, o brasileiro Sérgio Vieirade Mello. Leandro Despouy, investigador especial do Conselho deDireitos Humanos da ONU sobre a independência de juízes, disseque o fato de nem o Iraque e nem as forças de ocupaçãonorte-americanas terem esclarecido a verdade a respeito docrime minava a credibilidade dessa entidade mundial. "Eu proponho a criação de uma comissão de inquéritocomposta por especialistas de renome a fim de finalmenteesclarecer o que exatamente aconteceu e quem foi oresponsável", disse em uma entrevista coletiva Despouy, umadvogado argentino. Vieira de Mello, apontado à época como futurosecretário-geral da ONU, morreu com seus colegas quando umagressor suicida explodiu um caminhão do lado de fora docomplexo da organização na capital iraquiana, no dia 9 deagosto de 2003, cinco meses depois da invasão liderada pelosEUA. Autoridade da ONU havia muitos anos, o brasileiro atuava emBagdá como representante da entidade internacionalsupervisionando as operações de ajuda humanitária e mantendocontato com as forças de ocupação. No entanto, ainda há muitas perguntas a respeito doepisódio, que levou a ONU a retirar todos os seus funcionáriosdo Iraque. Nenhum dos vários esforços para estabelecer como o atentadoocorreu e quem o planejou chegou a uma explicação substancial,afirmou Despouy. Isso, segundo o investigador, deixava a impressão de quecrimes do tipo contra a ONU poderiam ser cometidos impunemente. Despouy disse ainda estar perplexo com o fato de o governoiraquiano não ter, no mês passado, suspendido a execução de umhomem que poderia ter informações sobre o atentado. O investigador disse ter feito vários apelos aos líderesiraquianos e a autoridades norte-americanas e britânicas emnome da suspensão da pena de morte do homem, que confessou terparticipado dos preparativos do ataque. "Ele era o último sobrevivente dentre os supostosresponsáveis pelo atentado", disse Despouy. "E talvez pudesseter fornecido um testemunho importante." Os apelos haviam sido enviados antes a líderes de governosdo Ocidente que tinham manifestado admiração por Vieira deMello, entre os quais o então primeiro-ministro daGrã-Bretanha, Tony Blair. O investigador não soube dizer sealgum deles adotou medidas em resposta aos apelos. "A gravidade do fato e a importância imensa dele tanto paraos familiares das vítimas, que desejam saber o que aconteceucom seus entes queridos, quanto para a credibilidade da ONU nãodeveriam ser ignoradas", afirmou.

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