ONU pede mais tempo para trabalho de inspetores de armas

Hans Blix, chefe da equipe de inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta segunda-feira que Bagdá não aceitou de bom grado a resolução do Conselho de Segurança (CS) da entidade que exige seu desarmamento.Por sua vez, o secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei, disse que seussubordinados necessitam de "alguns meses" a mais para concluirseu trabalho.Porém, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte disse não ter ouvido nada que "nos dê esperanças de que o Iraque se desarmará" voluntariamente e faça com que seu país deixe de considerar uma ação militar contra Bagdá.Dizendo que o Iraque não se desarmou nos 12 anos que se seguiram à Guerra do Golfo Pérsico, em 1991, ele garantiu que oacompanhamento norte-americano das inspeções mostrou que o"Iraque está de volta à ativa, como sempre", e alertou ao CSda ONU que não amenize a pressão sobre o governo liderado porSaddam Hussein."Eles não estão cooperando incondicionalmente. Nos próximosdias, acreditamos que o conselho e seus membros terão de lidarcom suas responsabilidades", disse Negroponte.O embaixador do Iraque na ONU, Mohammed al-Douri, garante que seu país "está limpo de armas de destruição em massa".El-Baradei declarou que seus inspetores não detectaram nenhumaatividade nuclear proibida nos locais visitados no Iraque. Blixdisse que Bagdá está cooperando no que diz respeito a dar acessoaos lugares, mas insiste que o governo iraquiano precisacolaborar mais com o trabalho de seus subordinados."O Iraque parece não ter aceitado de bom grado o desarmamentodele exigido", disse Blix no início de sua declaração sobre os60 dias de trabalho em solo iraquiano. Segundo Blix, "abrir portas" não é o bastante para os iraquianos.Sobre a questão do tempo necessário para que os inspetorestrabalhem, Blix diz compartilhar "da noção de urgência" paraobter o desarmamento dentro de um "período razoável detempo".El-Baradei, por sua vez, disse que seus homens estãoprogredindo bastante com seu trabalho e não devem serpressionados por prazos curtos."Até o momento não encontramos nenhuma evidência de que oIraque tenha retomado seu programa de armas nucleares desde aeliminação do mesmo nos anos 90", disse ele. "No entanto,nosso trabalho ainda está em andamento e é preciso permitir queele siga seu curso natural."

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