ONU pede para vizinhos receberem refugiados colombianos

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) anunciou nesta terça-feira, em Genebra, que está preparando os países vizinhos da Colômbia para receberem refugiados, além de estudar o envio de alimentos para a região. "O objetivo é estar em condições de receber os refugiados colombianos, que podem começar a sair do país em quantidades significativas se os conflitos se intensificarem ainda mais", disse um porta-voz do Acnur à Agência Estado.Por enquanto, a ofensiva do exército colombiano nas zonas do território controlada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não provocou um aumento no número de refugiados. Mesmo assim, a ONU garante que desenvolveu planos de contingência para garantir a assistência à população, caso seja necessário. Para o desenvolvimento desse plano, o presidente do Comitê Executivo do Acnur, embaixador Johan Molander, esteve toda a semana na Colômbia em contato com organizações não-governamentais.Mesmo assim, a ONU tem problemas para explicar se está sendo eficiente ao cuidar dos mais de 2 milhões de colombianos que já foram obrigados a deixar as casas nos últimos anos por causa dos conflitos. "É uma região de difícil acesso", reconhece um funcionário da ONU. Uma das iniciativas da ONU foi a identificação de zonas que podem servir de acampamento para os refugiados. Uma delas seria na província de Esmeralda, no Equador.Funcionários do Acnur informaram que mantiveram reuniões com os governadores das regiões de Carchi e Imbabura, também no Equador, com o objetivo de preparar as autoridades locais para uma possível crise humanitária. Os funcionários do Acnur ainda estão em contato com o governo do Panamá e da Venezuela, países que poderão também acabar recebendo refugiados colombianos no futuro.Uma das iniciativas tem sido o treinamento do exército desses países para receber os refugiados, principalmente na cidade de San Cristobal, na fronteira entre o território colombiano e venezuelano. O fluxo de refugiados colombianos para o Equador não aumentou, informou em Quito o chefe do escritório local do Acnur, José Euceda. Segundo ele, nos últimos dias se manteve o fluxo normal de quatro ou cinco famílias colombianas que entram a cada semana em território equatoriano. No entanto, explicou que o número de pessoas que solicitaram o status de refugiados aumentou de 90 em dezembro do ano passado para 280 em janeiro deste ano.O Acnur prevê dois cenários pós-ruptura do diálogo de paz na Colômbia: o primeiro é o da entrada de 2.300 pessoas; o segundo, de 11.000. Segundo Euceda, no momento "não há nenhum indício de que se apresente o segundo cenário".

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