ORLANDO ESTRADA / AFP
ORLANDO ESTRADA / AFP

Segunda caravana chega à Guatemala e segue rumo aos EUA

Cerca de 1.500 imigrantes da América Central pretendem se juntar à marcha que está no México

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 10h18

GENEBRA - Se a caravana de 7 mil imigrantes que avança no México ameaça criar uma crise na fronteira com os EUA, uma segunda marcha chegou nesta terça-feira à Guatemala e deve agravar a situação. Cerca de 1.500 imigrantes hondurenhos cruzaram a fronteira e pretendem se reunir ao grupo que já está em território mexicano. 

presidente americano, Donald Trump, que já ameaçou cortar a ajuda financeira a países da América Central e suspender o novo Nafta, recentemente negociado com o México, não tem conseguido impedir o avanço da marcha. Nesta terça-feira, ele insistiu em dizer que, no meio da multidão, há várias pessoas “do Oriente Médio” que pretendem entrar nos EUA – embora não tenha apresentado evidências do fato.

Trump se reuniu nesta terça-feira com James Mattis, secretário de Defesa dos EUA, e com Joseph Dunford, chefe do Estado-Maior Conjunto, para discutir as alternativas do governo americano, incluindo a militarização da fronteira. “Não entrarão”, disse o presidente, que estimou o número da caravana em 10 mil imigrantes.

Os EUA estão cada vez mais preocupados com a situação na fronteira. Em setembro, patrulhas apreenderam 16,6 mil ilegais, 900 pessoas a mais do que em agosto e 12 mil a mais do que no mesmo período do ano passado – um recorde que já coloca a fronteira em nível de “crise”, segundo fontes oficiais. 

O Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) apela para que os governos americano, mexicano e de outros países da América Central garantam de forma urgente a segurança dos integrantes da caravana de imigrantes que se dirigem à fronteira entre os EUA e o México. A entidade também solicita que essas pessoas possam pedir asilo, como estabelecido no direito internacionais. 

As mais de 7 mil pessoas que se juntaram à caravana, segundo dados da ONU, chegaram no fim de semana à cidade mexicana de Tapachula, após percorrerem o caminho a pé desde a fronteira da Guatemala. Elas desafiam as ameaças do presidente Trump, de fechar a fronteira sul do país, assim como os alertas do governo mexicano. 

Na segunda-feira, Trump disse que Guatemala, Honduras e El Salvador não conseguiram impedir que as pessoas deixassem seu país e tentassem entrar ilegalmente nos EUA. Diante disso, ele anunciou que começará a "cortar ou a reduzir substancialmente a enorme ajuda externa dada rotineiramente a eles"

Dados do governo americano e de uma ONG de monitoramento, no entanto, apontam que a ajuda americana para países da América Central já diminuiu nos últimos dois anos: de US$ 750 milhões em 2016 para US$ 615 milhões em 2018.

Ciente da dimensão "política" da Caravana e seu impacto, a ONU insiste que o foco deve estar na proteção dos migrantes. "O Acnur gostaria de relembrar aos países ao longo da rota que essa caravana provavelmente inclui pessoas sob risco real", declarou Adrian Edwards, porta-voz da entidade ligada à ONU. 

"Em qualquer situação como essa, é essencial que pessoas tenham a oportunidade de solicitar asilo e tenham suas necessidades de proteção internacional propriamente avaliadas, antes que qualquer decisão sobre um retorno ou deportação seja feita", declarou Edwards. Cerca de mil integrantes da caravana já pediram asilo no México.

Em mensagens nas redes sociais, Trump deixou claro que tomará medidas para contar a onda migratória. "Todos os esforços estão sendo feitos para impedir a investida de estrangeiros ilegais de cruzar nossa fronteira sul", escreveu. "As pessoas têm que solicitar asilo para o México primeiro, e se elas falharem, então os Estados Unidos as recusarão", escreveu Trump no Twitter.

O presidente classificou as caravanas como uma "desgraça à festa democrática" e pediu uma mudança imediata nas leis de imigração.

Para a ONU, porém, a situação mais urgente se refere à segurança dos imigrantes. "A situação humanitária que se desenvolve é de preocupação do Acnur, assim como as áreas onde existem riscos de sequestros e segurança por onde a caravana vai atravessar", alertou Edwards. 

"Estabilizar a situação passou a ser urgente", disse o porta-voz do Acnur. "É essencial que existam locais adequados de recepção e outras condições para aqueles pedindo asilo, assim como para outros na rota", defendeu Edwards. "Os países pelo caminho precisam proteger essas pessoas."

O Acnur já tem mobilizado dezenas de agentes no sul do México para lidar com a caravana, oferecer assistência técnica às autoridades e garantir registros de pedido de asilo, além de estabelecer abrigos. 

Na Guatemala, o Acnur ainda está monitorando a fronteira em Tecun Uman e as condições humanitárias, enquanto em Honduras a meta é a de garantir uma recepção segura para os integrantes da caravana que tentem retornar.

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