ONU pede que Afeganistão combata tráfico ligado ao governo

Organização afirma que narcotraficantes comprometem sistema judiciário com dinheiro e influência

Agência Estado e Associated Press,

05 de março de 2008 | 11h31

O governo afegão deveria atacar os grandes narcotraficantes - alguns deles vinculados ao governo - que alimentam o multimilionário mercado das drogas ilícitas no país, que mais uma vez alcançou níveis sem precedentes, sugeriu a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 5.   Christina Gynna Orguz, diretora da sucursal afegã da Agência das Nações Unidas de Combate às Drogas e ao Crime Organizado, informou que o país manteve a posição de maior produtor mundial de ópio e heroína e denunciou que os barões das drogas e funcionários corruptos do governo atuam impunemente.   O Afeganistão abastece 93% do mercado mundial ilícito de ópio, matéria-prima da heroína. Segundo cálculos da ONU, os rebeldes taleban que combatem as forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão receberam cerca de US$ 100 milhões no ano passado por meio de taxas de proteção aos agricultores que cultivam papoula e ópio.   "Indivíduos poderosos conseguem comprometer o sistema judiciário por intermédio de subornos e corrupção, assim como com ameaças implícitas e explícitas", disse ela. "Tais situações não podem mais ser toleradas se os afegãos forem ter o tipo de sistema judicial e de instituições eficientes que merecem", prosseguiu Orguz.   "O cultivo ilícito de papoula para produção de ópio no Afeganistão atingiu níveis sem precedentes", informou em Cabul a Agência da ONU de Combate às Drogas e ao Crime Organizado.   Os fazendeiros afegãos plantaram uma área recorde de 193 mil hectares de papoula em 2007, 14% acima do ano anterior. A produção total, favorecida por uma temporada de chuvas mais intensa que o normal, aumentou ainda mais: 34%.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoONUópio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.