ONU pede que bombas de fragmentação sejam proibidas

A Organização das Nações Unidas(ONU) pediu na segunda-feira que a comunidade internacionalproíba as bombas de fragmentação, afirmando que esse tipo demunição não é confiável e mata de forma indiscriminada. Representantes de mais de cem países estão reunidos nacapital da Irlanda, Dublin, para participar de suas semanas denegociações convocadas para finalizar um acordo debatido hávários anos. Mas o encontro de Dublin viu-se minado pela ausência dosEstados Unidos, da China e da Rússia, países contrários àproibição. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos delegadosque o uso, o desenvolvimento, a produção, o armazenamento e atransferência de bombas de fragmentação deveriam ser proibidos. "Como esses armamentos são imprecisos e costumam funcionarmal, trata-se de armamentos que matam de forma indiscriminada enos quais não se pode confiar", disse. As bombas de fragmentação abrem-se ainda em vôo e espalhamaté várias centenas de "bombinhas" por uma ampla área. É comum que esses artefatos não consigam detonar, criandoverdadeiros campos minados que podem matar ou ferir qualquer umque os atravesse. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas diz que asbombas de fragmentação deixaram mais de 13 mil pessoas mortasou feridas em todo o mundo, a grande maioria delas no Laos, noVietnã e no Afeganistão. O chamado processo de Oslo começou três anos atrás ebaseia-se nos esforços para acabar com as minas terrestres,esforços esses que receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1997 eque resultaram no Tratado de Ottawa, assinado em 1999 proibindoesse tipo de arma. "Algumas vezes, é muito difícil influenciar os EUA, a Chinae a Rússia. Esses países que não estão aqui em Dublin", afirmouThomas Nash, coordenador da Coalizão das Armas de Fragmentação(CMC). "Mas, recentemente, vimos muita coisa positiva acontecendoem países que antes adotavam uma postura bastante negativa",disse. Apesar de a maior parte dos produtores, usuários earmazenadores de bombas de fragmentação estarem ausentes doencontro de Dublin, os ativistas apontam para os casos dasminas terrestres e das armas químicas e biológicas para mostrarque acordos internacionais podem influenciar mesmo os paísesque não os assinam. "As pessoas deveriam prestar atenção na dinâmica que aconvenção criará", afirmou Jakob Kellenberger, presidente doComitê Internacional da Cruz Vermelha. Os EUA são contrários à proibição argumentando que essetipo de bomba não atinge seus alvos de forma indiscriminada enão deveria ser mal visto se usado de forma responsável. Jáoutros países demandam um prazo de transição para encontraralternativas a essa modalidade de armamento.

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