ONU pede que Mianmar não veja ajuda como questão política

Secretário apela pelo salvamento dos sobreviventes; junta militar rejeita doações de navios de guerra dos EUA

Agência Estado e Associated Press,

21 de maio de 2008 | 10h11

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu nesta quarta-feira, 21, ao governo de Mianmar que concentre-se no salvamento de vítimas, não em política. O comentário de Ban veio à tona pouco depois de a mídia estatal birmanesa ter anunciado que a junta militar que governa o país agradece a oferta, mas rejeitará a ajuda humanitária dos navios de guerra dos Estados Unidos ancorados em frente à costa de Mianmar.   Veja também:   Após destruição, birmaneses ainda têm de viver em meio aos cadáveres    As embarcações levam ajuda para as vítimas do ciclone Nargis, que atingiu o país entre os dias 2 e 3 de maio. De acordo com cifras oficiais, 77.738 pessoas morreram e 55.917 são consideradas desaparecidas. Os números não são atualizados há cinco dias. "Temos de nos empenhar ao máximo pelo povo de Mianmar", declarou Ban a jornalistas ao desembarcar em Bangcoc, Tailândia. "As questões referentes à assistência a Mianmar não devem ser politizadas. Nosso objetivo é salvar vidas."   O secretário-geral da ONU deverá viajar na quinta para Mianmar para acelerar os esforços de resgate e tentar convencer a junta militar birmanesa a aceitar a entrada de mais agentes humanitários estrangeiros em seu território. Ban disse aos jornalistas que ficará dois dias no país. Durante o período, ele pretende visitar áreas devastadas pelo ciclone e reunir-se com autoridades locais, inclusive o general Than Shwe, líder da junta militar que governa Mianmar.   "Nós recebemos permissão do governo para operar nove helicópteros do Programa Mundial de Alimentação, o que nos permitirá chegar a áreas que por enquanto são praticamente inacessíveis", anunciou na segunda o secretário-geral da ONU. Líderes birmaneses ainda não confirmaram a informação.

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