ONU pede que Obama não mude estratégia no Afeganistão

Principal funcionário da organização no país diz que é melhor implementar plano já adotado por Bush

Agência Estado e Associated Press,

16 de janeiro de 2009 | 11h21

O principal funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão, Kai Eide, disse que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve opor-se aos pedidos de mudança de estratégia em território afegão, concentrando-se, em vez disso, na implementação da estratégia já adotada. Diretor da missão diplomática da ONU no Afeganistão, Kai Eide disse que a próxima administração "tem a oportunidade única de reunir força, de reunir energia...e construir as tendências que temos visto" na direção de conquistar a seguranças das forças de segurança afegãs e estimular a economia do país.   Obama prometeu retirar as tropas norte-americanas do Iraque e enviar mais soldados ao Afeganistão, para onde militantes com ligações com o Taleban e a Al-Qaeda retornaram nos últimos anos. O vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, que viajou pela região no início deste mês, disse que "as coisas vão ficar mais difíceis no Afeganistão antes de começarem a melhorar". "Meu apelo não é pela discussão de uma grande estratégia, é pela implementação de esforços concretos", disse Eide em entrevista quinta-feira concedida no complexo da ONU em Cabul.   Houve aumento do número ataques insurgentes no Afeganistão em 2008, na comparação com o ano anterior, e cerca de 6.400 pessoas, a maioria militantes, morreram no ano passado como resultado da insurgência. A piora do cenário no Afeganistão forçou os Estados Unidos a planejarem o envio de mais 30 mil soldados para o país da Ásia central neste ano.   Há no Afeganistão cerca de 32 mil soldados norte-americanos e outros 32 mil da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e das tropas de coalizão, o maior número de militares desde que a invasão, liderada pelos Estados Unidos derrubou o Taleban do poder em 2001. Obama disse que o Afeganistão é uma de suas principais prioridades, mas os assessores escolhidos pelo presidente eleito ainda não revelaram um plano concreto sobre o assunto.   Eide, um diplomata norueguês que tem chefiado a missão da ONU no Afeganistão nos últimos nove meses, fez advertências sobre uma mudança de rumo. "Nosso problema não é que precisamos de uma nova estratégia...O que acontece muito frequentemente é que concordamos com algo, não implementamos essa ideia e dizemos, então, que algo deve estar errado com a estratégia", apontou. "Este não é o caso. O problema é com a implementação."   Eide disse que tem havido grandes melhoras em dois setores importantes, a formação das forças de segurança locais e a economia local. "A cada mês estamos melhorando no que diz respeito à situação de segurança", disse ele. "Há grandes esforços na construção de partes importantes da economia". A manutenção deste curso e a implementação de prioridades estabelecidas por uma conferência internacional, ocorrida cerca de seis meses atrás, devem continuar sendo o objetivo, disse Eide.   O Exército dos Estados Unidos informou que um helicóptero Black Hawk caiu nas proximidades de Cabul nesta sexta-feira, mas não há mortos nem atividade inimiga envolvida no acidente. Todos os sete ocupantes da aeronave sobreviveram e estão "a salvo e em segurança", informaram os militares em comunicado. O helicóptero estava a caminho de uma missão médica. O comunicado não informa as causas do acidente.

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