ONU pede solução para prisioneiros afegãos em Guantánamo

Está na hora de o governo de George W. Bush tomar uma decisão sobre o que fazer com os prisioneiros afegãos na base de Guantánamo, em Cuba. O alerta é do alto comissário de Direitos Humanos da ONU, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que em um comunicado à Casa Branca pede que a situação legal dos prisioneiros seja definida. No documento, o brasileiro sugere que, depois de quase um ano na prisão, os ex-membros do Taleban que foram capturados pelo Exército norte-americano devem ser levados à corte, seja nos Estados Unidos seja no Afeganistão, ou libertados diante da falta de acusações."Entendo a necessidade dos Estados Unidos de levar os suspeitos para serem interrogados para que se obtenha informações sobre a rede de terroristas. Mas há um limite e acho que já está na hora de ser dada uma solução definitiva à situação jurídica dos prisioneiros", afirmou Sérgio Vieira de Mello. Segundo ele, até agora os Estados Unidos não responderam a seu pedido. Na avaliação do brasileiro, que ocupa um dos cargos de maior prestígio na ONU há três meses, a luta contra o terrorismo não é incompatível com a proteção aos direitos humanos.Sobre uma eventual guerra contra Bagdá, o brasileiro garantiu que a ONU está preparada para dar ajuda humanitária à população iraquiana. "Temos que proteger a população, seja no Iraque, seja em outros conflitos pelo mundo", afirmou. Apesar de garantir que pode dar assistência aos civis, Vieira de Mello se queixa da falta de verbas. Seu escritório recebe apenas 1,54% do orçamento anual da ONU. "Existe uma contradição. Enquanto somos chamados a cumprir novos mandatos e tarefas, nosso orçamento é bastante reduzido", disse.

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