ONU pede urgentemente US$ 150 milhões para os libaneses

A ONU lançou nesta segunda-feira um pedido urgente à comunidade internacional para que contribua com cerca de US$ 150 milhões, que cobrirão as necessidades mais imediatas dos libaneses nos próximos três meses.O pedido, que foi feito simultaneamente em Beirute e na sede da ONU em Nova York - conectados por videoconferência -, pretende satisfazer as necessidades das 800 mil pessoas que, segundo a ONU, foram forçadas a fugir do país ou a se deslocar dentro do território libanês por causa da violência dos combates entre Israel e Hezbollah.Dos 800 mil libaneses, 700 mil são deslocados e refugiados e os outros 100 mil são pessoas que, por sua idade ou condição, não puderam deixar suas casas, mas precisam de assistência de forma urgente.As necessidades, calculadas em US$ 149.048.677, se referem sobretudo a equipamentos médicos, alimentos, logística e cobertores. O plano de ajuda foi traçado pela ONU em colaboração com todas as suas agências e ONGs como Save the Children ou Relief International.O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, que visitou durante dois dias algumas das regiões atingidas pelos mísseis israelenses, explicou que o ideal seria "o fim das hostilidades", mas por temer que isso não acontecerá em breve a ONU fez este pedido urgente.Segundo Egeland, também é prioritário abrir "corredores de ajuda", tanto por mar, para os portos de Beirute, Trípoli (norte) e Sidon (sul), como por terra, para poder unir Beirute com a fronteira norte e com as cidades de Sidon e Tiro, ambas no sul, a região mais castigada pelos bombardeios.Seja como for, é Israel quem tem que autorizar esses corredores. Egeland disse que a ONU está negociando com as autoridades israelenses de Defesa e já houve "progressos", sem dar mais detalhes.Egeland ressaltou que a situação da população do sul e do vale de Bekaa, no leste, "é muito preocupante". Há milhares de deslocados vivendo em escolas, onde mil pessoas têm que compartilhar seis vasos sanitários.O subsecretário-geral também alertou sobre a carência de gasolina após o bombardeio de depósitos. Israel está atingindo geradores elétricos e afetando boa parte do fornecimento dos serviços públicos do país, causando altas de 600% no preço do açúcar e de 400% no de bujões de gás doméstico."É imperativo que todas as partes no conflito, em particular o exército israelense, respeitem as leis humanitárias e forneçam o acesso completo e seguro aos trabalhadores humanitários por terra, mar e ar para permitir a eles chegar às localidades mais vulneráveis do Líbano", afirma o pedido da ONU.O documento da ONU também critica o Hezbollah por atacar a população civil do norte de Israel, mas Egeland desvinculou estas ações da atuação do governo libanês, que qualificou de "exemplar" em sua cooperação com os organismos humanitários e em sua assistência ao povo libanês.Matéria alterada às 16h39

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