ONU pede US$ 5,2 bi em ajuda para amenizar crise síria

Organização adverte que metade dos 10 milhões de sírios não terá como sobreviver até o fim do ano sem apoio internacional

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h05

A ONU concluiu ontem que a guerra na Síria é a "maior ameaça à paz mundial desde o fim da Guerra Fria". Para concretizar o maior plano humanitário da história, a instituição pede US$ 5,2 bilhões, duas vezes mais do que foi solicitado para a Guerra do Iraque, três vezes o que foi pedido para o terremoto no Haiti, em 2010, e quatro vezes o plano para responder ao tsunami de 2004, na Ásia.

O valor seria usado para garantir a distribuição de alimentos, remédios e de outros itens de necessidade básica à população síria e aos refugiados que foram para países vizinhos nos últimos meses. Em janeiro, a ONU estimava que a necessidade era de US$ 1,4 bilhão.

Na avaliação das Nações Unidas, metade dos 10 milhões de sírios não terá como sobreviver até o final do ano sem a ajuda internacional. Para a organização, se o conflito continuar, todo o Oriente Médio entrará em crise, cujas consequências o mundo "não está preparado" para enfrentar.

Em mais de dois anos, 80 mil pessoas morreram e 1,4 milhão de sírios deixaram o país. Até o final do ano, o volume de refugiados deve chegar a 3,4 milhões, segundo a ONU. "Trata-se do conflito mais perigoso para a paz mundial desde o final da Guerra Fria", disse Antonio Guterres, alto comissário da ONU para Refugiados.

Na avaliação de Guterres, gastar U$ 5 bilhões hoje é pouco comparado ao que o mundo terá de pagar caso haja uma guerra regional. "Esse dinheiro parece enorme. Mas é o equivalente ao que os americanos gastam em sorvetes em 30 dias ou o que os alemães gastam em gasolina em seis semanas", disse. "O custo de não fazer nada será muito maior."

A violência tem surpreendido a própria ONU. O apelo humanitário lançado ontem é o quinto em dois anos e revela a necessidade de a organização atualizar seus planos. "Hoje, estamos pedindo um volume de dinheiro que é o dobro de todos os 16 outros planos humanitários que temos pelo mundo em 16 países", disse Valerie Amos, coordenadora humanitária da ONU.

ONGs e mesmo especialistas dentro da ONU alertam que o volume não será suficiente. Na Jordânia, algumas escolas em campos de refugiados atendem a 10 mil alunos cada uma. A cada dia, são 7 mil pessoas deixando a Síria. Em janeiro, a ONU estimou que 3 milhões de sírios precisavam de ajuda urgente. Hoje, já são 6,8 milhões e esse número rapidamente poderia subir para 10 milhões. No Líbano, os refugiados sírios já são 25% da população do país. "A ajuda humanitária está fracassando", alertou Mego Terzian, presidente da ONG Médicos Sem Fronteira.

Segundo a ONU, levará ao menos 20 anos para reconstruir o que foi arrasado em 26 meses de guerra civil na Síria. "Só há uma saída política para essa crise. A Síria não precisa de mais armas, precisa de paz", afirmou Valerie.

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