ONU pode ser acionada sobre foguete norte-coreano

A Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão alertaram que o lançamento do foguete planejado pela Coreia do Norte violaria uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmaram que poderão levar o assunto para avaliação do Conselho de Segurança (CS) da organização, caso o governo norte-coreano dê continuidade a seu intuito. A Coreia do Norte informou que colocará um satélite de comunicação em órbita entre os dias 4 e 8 de abril, como parte de seu projeto de desenvolvimento de uma programa espacial pacífico.

PATRICIA LARA, Agencia Estado

28 de março de 2009 | 09h46

Mas governos de alguns países suspeitam que a Coreia do Norte usaria o lançamento para testar a tecnologia de um míssil de longa distância capaz de atingir o Alasca (EUA). Eles classificam o lançamento como um movimento provocativo e que iria contra a resolução do Conselho de Segurança da ONU em 2006, que proibiu atividades balísticas na Coreia do Norte e alertou que qualquer movimento nesse sentido poderia motivar sanções internacionais. "Nós vamos discutir, imediatamente, o assunto no Conselho de Segurança", afirmou o enviado do Japão para assuntos nucleares, Akitaka Saiki, após conversas com representantes do governo norte-americano e sul-coreano, em Washington, de acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo.

O enviado sul-coreano Wi Sung-lac reafirmou a posição de Seul de que o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte violaria a resolução da ONU "não importando" o que houver em cima do foguete, de acordo com o canal de TV sul-coreano YTN.

A Coreia do Norte ameaçou dar uma resposta forte, sem especificar qual seria, caso o Conselho de Segurança critique o lançamento e sugeriu que poderia reverter os passos dados para desabilitar seu programa nuclear.

Wi e Saiki tiveram encontros separados com Stephen Bosworth, o novo representante para a Coreia do Norte do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, e com Sung Kim, outro representante da administração Obama para assuntos cotidianos da Coreia do Sul. "Discutimos formas de lidar com a questão do foguete no Conselho, resumimos as negociações e falamos sobre outros temas", disse Wi, após o encontro de duas horas com Bosworth e Kim. Ele recusou-se em comentar como poderia ser a resposta do Conselho da ONU a um eventual lançamento. "Nós esperamos uma ação do Conselho, mas não fazemos prejulgamentos ou previsões sobre a forma da ação. Depende da decisão do Conselho", disse Wi.

A Rússia declarou que a Coreia do Norte tem o direito de fazer uso pacífico do espaço, assim como outro país, mas defendeu que o governo norte-coreano cancele o lançamento do foguete. "O clima na Península coreana não está favorável e um lançamento de foguete pode ser um fator adicional de instabilidade, ampliando as tensões", declarou o vice-ministro de Relações Exteriores do governo russo, Alexei Borodavkin. "Por isso, apelamos para que os nossos companheiros e amigos da Coreia do Norte evitem esse passo."

Em Tóquio, o ministro de Defesa do Japão, Yasukazu Hamada, ordenou ontem que as forças militares se preparem para atirar em quaisquer fragmentos que caiam no território japonês, caso o lançamento do foguete seja um fiasco. Ele determinou que as tropas mobilizem os interceptores de mísseis e enviou dois navios de guerra para o Mar do Japão. As informações são de agências internacionais.

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