ONU preocupada com disputa entre Líbano e Israel por água

A inauguração de uma reserva de água no Líbano, que ocorre na quarta-feira, é motivo de grande preocupação na ONU. Os libaneses pretendem concluir a obra que utilizará as águas do rio Hasbani, mas o governo de Israel já deixou claro que o projeto afeta interesses estratégicos do país, e não hesitará em lutar pelo acesso à água.O problema é que o rio Hasbani termina no mar de Genesaret, uma das principais reservas de água de Israel e responsável pelo abastecimento de 10% da população do país. Segundo um acordo firmado em 1955 entre o Líbano e Israel, Beirute poderia se utilizar de apenas sete milhões de metros cúbicos de água do rio para abastecer vilas agrícolas no sul do país.Mas com a construção da nova reserva, os libaneses passarão a utilizar mais de dez milhões de metros cúbicos. Diante do projeto, membros do governo de Israel já indicaram que poderão utilizar o Exército para evitar que o abastecimento seja interrompido.Não é a primeira vez que Israel usaria seu aparato militar para garantir o suprimento de água. Um dos argumentos para a invasão das Colinas de Golã, em 1967, teria sido a busca por fontes de água. A iniciativa acabou gerando a Guerra do Seis Dias.A ameaça de um novo conflito está mobilizando funcionários da ONU, em Genebra. A organização tenta mediar uma solução pacífica e saber se, de fato, as partes estão lutando pela água ou apenas usando o recurso natural como justificativa para um ataque.A questão mobiliza vários políticos. Em sua visita aos Estados Unidos, no mês passado, o premiê israelense, Ariel Sharon, pediu que George W. Bush tomasse uma posição sobre a obra. O governo de Tel Aviv também pediu que Jacques Chirac, presidente francês, tentasse convencer os libaneses a desistirem do projeto durante sua visita a Beirute, que ocorreu nos últimos dias.Apesar da inauguração da reserva e das ameaças de Israel, tudo indica que mais um ?front? de batalha no Oriente Médio somente será aberto depois de um ataque dos Estados Unidos ao Iraque. Para especialistas, a criação de mais um foco de tensão é tudo o que a Casa Branca quer evitar neste momento na região e, por isso, a esperança de Beirute é de que Washington convença Israel a negociar um acordo para a utilização das águas do rio Hasbani.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2002 | 19h49

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