ONU pressiona Obama a investigar torturas no Iraque

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a tortura, o austríaco Manfred Nowak, disse ontem que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem a "obrigação moral" de promover uma investigação "independente e objetiva" sobre os abusos no Iraque revelados na sexta-feira pelo site WikiLeaks. Ele planeja mandar a Washington uma carta formal cobrando explicações.

AE, Agência Estado

24 de outubro de 2010 | 07h43

A principal suspeita em relação aos militares americanos é de que teriam sido cúmplices de tortura realizada pelas forças iraquianas, treinadas e estabelecidas por Washington. Para Nowak, as informações reveladas mostram "claras violações da convenção da ONU contra tortura". Nowak acrescentou que a entrega de prisioneiros sob risco de abuso é ilegal e precisa ser investigada. Para ele, o fato de que os supostos crimes ocorreram antes de Obama chegar ao poder não é motivo para não fazer nada. "Obama chegou ao poder com uma agenda moral, dizendo que os EUA não queriam ser vistos como uma nação responsável por violações de direitos humanos", afirmou Nowak.

Pelo artigo 3 da Convenção contra a Tortura, países estão proibidos de entregar prisioneiros ou inocentes a forças de segurança que poderiam ameaçá-los. Avaliando os documentos secretos revelados na sexta-feira, a constatação da ONU é de que esse princípio não foi seguido.

O governo dos EUA não respondeu até ontem ao pedido da ONU e de organizações como a Anistia Internacional para abrir investigações. Apenas condenou a divulgação dos dados, alegando que ela coloca em risco a vida de americanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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