ONU pressiona Síria a estabelecer relações com Líbano

O Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução nesta quarta-feira pressionando a Síria a estabelecer relações diplomáticas e delimitar suas fronteiras com o Líbano, afirmando que estes seriam passos "significativos" para assegurar a soberania e independência libanesa. A resolução apoiada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, foi aprovada por 13 votos a 0. Rússia e China se abstiveram argumentando que a resolução não é necessária e seria uma interferência da ONU nas relações bilaterais entre Líbano e Síria. A Síria retirou suas forças do Líbano no ano passado depois de protestos em massa contra Damasco, culpando o governo sírio pelo assassinato do premier libanês Rafik Hariri, em fevereiro de 2005. A retirada das tropas encerrou uma ocupação que durou 29 anos. O governo libanês e vários partidos políticos do país convidaram s Síria para estabelecer laços diplomáticos com Beirute e marcar suas fronteiras que incluem a disputada região agrícola de Chebaa.O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, afirmou que o Conselho espera que a Síria considere a resolução seriamente. O Ministro do Exterior adjunto da Síria, Fayssal Mekdad, se opôs à resolução e pediu ao Conselho na semana passada que pare de interferir nas relações entre os dois países. Os países que apóiam a iniciativa insistem que a proposta é um desdobramento da resolução 1559 adotada pelo Conselho em setembro de 2004, que pede respeito à soberania, integridade territorial, unidade e independência polícia sob a autoridade do governo libanês, exigências que ainda não foram cumpridas totalmente. A resolução alinha-se a um relatório do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pedindo ao Irã, assim como à Síria, cooperação para restaurar a independência libanesa e desarmamento das milícias. Esta foi a primeira vez que um chefe da ONU associou Teerã à instabilidade no Líbano. O relatório de Annan apontou para os "laços estreitos, contatos freqüentes e comunicação regular" entre as guerrilhas do Hezbollah do Líbano com a Síria e o Irã.A resolução de quarta-feira não menciona o Irã explicitamente, mas notas afirmam que milícias libanesas e de outros países não foram desarmadas. O documento pede que o governo libanês "tome medidas contra movimentos armados em seu território e pede que o governo sírio tome medidas similares."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.