ONU prevê mais fome e distúrbios devido a preço de alimentos

Os aumentos recorde do preçodos alimentos e a inflação decorrente disso devem continuar atéao menos 2010, alimentando uma "nova fome" em todo o mundo econflitos nas ruas de países mais pobres, afirmou umaautoridade da Organização das Nações Unidas (ONU). Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Mundial deAlimentação (WFP), da ONU, afirmou que a economia mundial"ingressou em uma tempestade perfeita para a fome mundial"provocada pela alta nos preços do petróleo e dos alimentos epela queda nos estoques de comida. "Segundo nossa avaliação, a tendência atual deve continuarpelos próximos anos. Ou, na verdade, talvez se aprofunde em2008, 2009 e até provavelmente 2010, pelo menos", afirmouSheeran na quinta-feira, em Bruxelas, onde se reuniu comautoridades da União Européia (UE). A visita dela aconteceu no dia em que o preço do petróleo,do ouro e do cobre atingiu níveis recorde em vista da fuga deinvestidores do dólar fraco rumo às commodities. Para Sheeran, o preço dos alimentos subia devido a umacombinação formada pelo aumento no preço da energia (incluindoo petróleo), pelos efeitos das mudanças climáticas, por umademanda crescente de países como a Índia e a China e pelo usode terras férteis para produzir biocombustível. "Isso está fazendo com que surja um novo tipo de fome nomundo, o que poderíamos chamar de a 'nova fome'. Há pessoas quepossuem dinheiro, mas que não conseguem comprar alimentosdevido aos altos preços", disse. "O preço mais elevado da comida alimentará distúrbiossociais em vários países sensíveis a pressões inflacionárias edependentes da importação. Devemos assistir a uma reprise deconflitos de rua como os já registrados em Burkina Fasso, nosCamarões e no Senegal." MORTES Em todo o mundo, a cada dia, mais de 25 mil pessoas morremde fome ou de males relacionados com a falta de alimentos. Umacriança morre a cada cinco segundos. Sheeran viajou até Bruxelas a fim de pedir ajuda paracobrir o déficit de 500 milhões de dólares criado pelo aumentono preço das commodities, cujos valores elevaram-se e cerca de40 por cento desde 2007. O WFP elabora atualmente uma lista com os 30 países queseriam os "mais vulneráveis" aos atuais surtos inflacionários.Entre esses está o Afeganistão, onde há uma carência de 77milhões de dólares para alimentar mais 2,5 milhões de pessoas. "Nosso déficit orçamentário para 2008 significa, nomomento, que temos de decidir entre distribuir menos 40 porcento de comida ou atender a menos 40 por cento de pessoas.Isso é inaceitável", afirmou a autoridade da ONU. Além das verbas adicionais, Sheeran disse que o problemapoderia ser enfrentado por meio do aumento da produção dealimentos usando mais terras para a agricultura e reduzindo omontante destinado aos biocombustíveis.

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