ONU promove conferência sobre futuro do Afeganistão

Sob intensa pressão internacional para fechar um pacto e encerrar mais de duas décadas de guerra, quatro facções políticas afegãs iniciaram uma reunião, em Bonn, para definir como vão dividir o poder e garantir a paz no país após a derrota das forças do Taleban. Promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a conferência reúne membros da Aliança do Norte, a poderosa coalizão apoiada pelos EUA; um grupo ligado ao rei Mohammed Zaher Shah, deposto em 1973 e exilado em Roma, e duas delegações de grupos minoritários.Com os EUA, Rússia e países vizinhos, como Paquistão e Irã, exercendo influências pesadas nos bastidores, as delegações deverão discutir o período de duração de um governo de transição antes da convocação de uma assembléia nacional, além de debater a formação de uma força de paz liderada pela ONU. Estão em jogo, no encontro, a estabilidade regional e bilhões em ajudas internacionais para desenvolvimento do país.O ministro de Relações Externas da Alemanha, Joschka Fischer, abriu a conferência, realizada em um luxuoso hotel às margens do Rio Reno, fazendo um apelo sobre a necessidade de se levar paz e estabilidade para o povo afegão. "Eu conclamo todos vocês a alinhavar um compromisso histórico verdadeiro que permita dar um futuro melhor ao seu dilacerado país e a seu povo", disse Fischer. "A comunidade internacional está preparada para fazer esse grande esforço, mas apenas se conseguirmos atender as expectativas", afirmou.Fischer disse que os delegados devem acertar regras consensuais sobre o futuro sistema político e o respeito aos direitos humanos, particularmente das mulheres. "A participação ativa (das mulheres) na vida social e política da nação é essencial para um futuro pacífico do país", declarou. Duas mulheres estão entre os 25 delegados afegãos reunidos em Bonn.Antes do início da conferência, o porta-voz da ONU para o Afeganistão, Ahmad Fawzi, afirmou que os grupos devem encerrar os debates em menos de uma semana. Anteriormente, a ONU tinha afirmado que as negociações durariam o tempo necessário. "Agora, vemos a necessidade de os grupos chegarem a um acordo o mais rápido possível", comentou Fawzi.As nações ocidentais têm condicionado a liberação de recursos para ajuda na reconstrução do país à criação de uma administração que respeite os direitos humanos. A Alemanha, que tem assumido o papel de principal articulador da ajuda ao Afeganistão, vai promover um encontro com nações doadoras de recursos, nos dias 5 e 6 de dezembro, em Berlim, com o objetivo de discutir como serão enviados esses recursos. Um outro encontro sobre a reconstrução do Afeganistão está agendado para janeiro, em Tóquio.Leia o especial

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