ONU prorroga missão de paz no Haiti por oito meses

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade nesta quinta-feira a prorrogação por oito meses da missão de paz no Haiti, pedindo às tropas que ampliem suas operações contra quadrilhas criminais.A maioria dos membros queria uma prorrogação de um ano, enquanto a China queria apenas seis meses. Negociou-se então um mandato de oito meses, até 15 de outubro.A chamada Minustah - atualmente com 6.800 soldados e quase 2.000 policiais, sob comando do Brasil - chegou ao Haiti pouco depois da rebelião que derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004.A resolução, redigida pelo Peru, exige que as tropas de paz aumentem "o ritmo das operações" contra os criminosos, "conforme se considera necessário para restaurar a segurança, notavelmente em Porto Príncipe".Na sexta-feira passada, centenas de soldados da ONU invadiram uma favela da capital controlada por uma quadrilha. Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas, inclusive dois soldados.O embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, disse ao Conselho que o texto tinha prioridades erradas e dava ênfase demais às operações policiais, o que não poderia ser "uma estratégia de longo prazo".O principal objetivo, defendeu ele, deveria ser ajudar o governo haitiano em fortalecer as instituições civis. Wang afirmou que várias das suas emendas foram rejeitadas, mas em nome do consenso aceitou que a prorrogação fosse de oito e não seis meses. O Haiti mantém relações com Taiwan, mas não com Pequim.Em nome da América Latina, que tem participação importante na força, o embaixador panamenho, Ricardo Alberto Arias, disse que o mandato de oito meses é curto demais, já que a ONU certamente terá de permanecer no Haiti por mais de um ano, na opinião dele. Um mandato mais longo, argumentou, não inviabilizaria que no futuro fosse revisto o caráter da missão.A violência no Haiti parece ter diminuído desde a eleição do presidente René Préval, há um ano, mas a entidade International Crisis Group afirma que as quadrilhas ameaçam tomar conta do Haiti, porque o Judiciário não tem capacidade de lidar com homicídios, estupros, roubos e seqüestros que cometem.A entidade afirmou que no Haiti "o Judiciário está sobrecarregado pela incompetência e a corrupção, em parte devido à inadequação salarial". Cerca de 96 por cento dos detentos da Penitenciária Nacional não foram submetidos a julgamento.

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