ONU quer dobrar ajuda ao Haiti

Avanços da missão brasileira podem ser perdidos

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

Todo o trabalho e dinheiro investido pelo Brasil no Haiti podem ser perdidos se o país não receber nos próximos cinco anos mais de US$ 10 bilhões para a reconstrução de sua infra-estrutura. Os dados são do gabinete do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que se reuniu ontem com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, em Genebra. Para Ban, a segurança e estabilidade no país podem ser afetadas se a população não receber ajuda da comunidade internacional. "Estamos reavaliando o que podemos fazer no Haiti e estamos em conversações com o Brasil sobre o assunto", afirmou ao Estado o secretário-geral da ONU. "A situação de lá nos preocupa muito e há um temor real de que a falta de recursos comprometa o que foi feito no país nos últimos anos."O Haiti, o país mais pobre da América, sofre com a instabilidade econômica e política. Suas instituições são consideradas disfuncionais e corruptas; as taxas de criminalidades e tráfico de drogas são altas. A vulnerabilidade ambiental agrava a situação do país: em 2008, a passagem de furacões provocou prejuízos de bilhões de dólares. Desde junho de 2004 o Brasil comanda a missão da ONU para a estabilização no Haiti, a Minustah. As tropas de paz são consideradas fundamentais para garantir a estabilidade no país, mas cresce a percepção de que apenas soldados não resolverão a crise. Hoje, o Haiti conta com cerca de US$ 500 milhões em ajuda a seu desenvolvimento, dinheiro entregue pelas Nações Unidas. Para Ban Ki-moon, esses recursos são apenas uma parcela do que o país necessitaria. "Estradas e cidades inteiras foram destruídas este ano", afirmou. MAIS AJUDAAs Nações Unidas classificam a situação do Haiti como "crítica" e, para o início de 2009, Ban negocia a realização de uma conferência internacional com o objetivo de recolher recursos para o país. "Queremos pelo menos dobrar o dinheiro que está chegando ao país."Pelos cálculos da ONU, o Haiti precisaria de um orçamento quatro vezes maior que o atual para se erguer. Mas, sabendo que a crise financeira afetará a capacidade de arrecadação de novos recursos junto à comunidade internacional, Ban Ki-moon estima que a obtenção de US$ 1 bilhão anual já seria um "sucesso".

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