AP Photo/SANA
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ONU quer eleição geral na Síria em 18 meses e criação de uma federação

Negociação com grupos opositores é mais uma tentativa do mediador da ONU de aproximar os rebeldes e o governo de Assad

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 14h58

GENEBRA - A negociação de paz para colocar um fim à guerra na Síria recomeça na segunda-feira em Genebra com um objetivo claro: estabelecer as bases de um diálogo para que, em 18 meses, eleições presidenciais possam ser realizadas em Damasco. 

Na quinta-feira, grupos de opositores confirmaram a presença na negociação, em mais uma tentativa do mediador da ONU, Staffan de Mistura, de aproximar rebeldes e o governo de Bashar Assad. O diplomata, que em diversos momentos foi obrigado a adiar o início do processo, acredita que a chance de um avanço hoje é "real".

Para ele, porém, é a solução política que deve ser priorizada. Em um primeiro momento, a formação de um novo governo composto por diferentes forças do país deve ser a prioridade. Mas seguiria com a criação de uma nova constituição e, um ano e meio depois do início do processo negociador, eleições seriam realizadas "sob a supervisão da ONU, tanto para escolher um novo Parlamento como para presidente", disse. 

A questão para a qual Mistura não tem resposta é o destino de Assad dentro desse processo. De um lado, a oposição, governos sunitas e potências Ocidentais insistem que o atual presidente não pode ocupar um cargo no governo de transição. Para os iranianos e russos, essa decisão cabe ao povo sírio.

Apesar do impasse, o negociador estima que essa é a sua melhor chance de fazer avançar o processo. Um cessar-fogo bancado por americanos e russos tem se mantido, ainda que a oposição insista que Assad continua a bombardear suas bases.

Federação. Mistura também deixa claro que uma das possibilidades que se discute na formulação de uma nova constituição é a chance de federalizar a Síria, dando a diferentes regiões certa autonomia, mas tentando resguardar a unidade do território. Um dos modelos utilizados é o da Bósnia, depois da guerra dos anos 1990. 

Mas para que esse debate seja realizado, o impasse é profundo. Mistura, pressionado pelos turcos, não convidou para a negociação os grupos curdos do norte da Síria. Na quinta-feira, o chanceler russo Serguei Lavrov criticou a ausência dos curdos. "Eles controlam 15% do território sírio e são aliados tanto da Rússia como dos EUA", disse.

Ancara insiste que a organização curdo-síria, conhecida por PYD, é um braço do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), considerado como ilegal. Mas o governo americano vê o PYD como a força mais eficiente até agora para lutar contra o Estado Islâmico. 

Mesmo sem os curdos, o Alto Comitê Negociador (formado pela oposição) afirmou na quinta-feira que vai à Genebra com o objetivo de encontrar "uma solução política" para a crise. Isso inclui a criação de um governo de transição, mas Riad Hijab, o líder do grupo, alertou em um comunicado que o governo está se preparando para "uma escalada militar".

Fontes militares indicaram que o objetivo imediato do governo sírio é o de recapturar a cidade histórica de Palmira, hoje sob contrôle do Estado Islâmico. Isso abrira o caminho para a provícia de Deir al-Zor, também controlada pelos jihadistas. Desde a semana passada, Palmira tem sido alvo de ataques aéreos das forças russas.

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