ONU quer punição dos crimes do regime de Saddam

Sérgio Vieira de Mello, brasileiro que ocupa a posição de representante da ONU em Bagdá, começa a colocar em prática seu plano de reconstrução do Iraque. A partir de segunda-feira, Vieira de Mello realiza consultas com representantes da sociedade iraquiana para debater como impedir que os crimes cometidos pelo regime de Saddam Hussein fiquem impunes.No total, o brasileiro convocou 45 especialistas, a maioria deles iraquianos, para começar a elaborar políticas de direitos humanos e fazer uma revisão do que ocorreu no país nos últimos anos. Entidades como a Cruz Vermelha, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, além de representantes do governo dos Estados Unidos, também foram convocados. Antes de deixar Genebra para ocupar o posto em Bagdá, no mês passado, o brasileiro insistiu que não estaria em suas mãos propor que os crimes cometidos pelo regime de Saddam Hussein fossem julgados pelo novo poder Judiciário que seria criado no Iraque. Para ele, uma iniciativa como essa dependeria do interesse do povo iraquiano. Mas com pouco mais de um mês no Iraque, Vieira de Mello dá sinais de que debater os crimes do passado será uma de suas prioridades.Um dos temas que será tratado na reunião da próxima semana se refere a eventuais compensações que as famílias de vítimas de violações receberiam. Outro debate será o da reconstrução de um sistema judiciário iraquiano, desta vez com normas baseadas nas diretrizes do direito internacional e que dê a possibilidade para que os acusados de violações sejam julgados.

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