ONU readmite Líbia no Conselho de Direitos Humanos

A Assembleia Geral da ONU readmitiu nesta sexta-feira a Líbia no Conselho de Direitos Humanos da entidade, depois de uma suspensão que havia sido imposta no começo da guerra civil que levou ao fim do regime de Muammar Gaddafi.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

18 de novembro de 2011 | 18h43

O embaixador-adjunto da Líbia na Organização das Nações Unidas, Ibrahim Dabbashi, apresentou aos 193 países da Assembleia uma resolução que "saúda os compromissos feitos pela Líbia para cumprir suas obrigações sob o direito humanitário internacional, e promover e proteger os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito."

A resolução foi aprovada, mas não unanimemente, como pedira Dabbashi. Foram 123 votos favoráveis, 4 contra e 6 abstenções, além de dezenas de países que nem sequer participaram da deliberação.

A Líbia foi suspensa do Conselho de Direitos Humanos porque o regime da época foi acusado de "violações flagrantes e sistemáticas" dos direitos humanos, durante a repressão a manifestações pró-democracia.

Dabbashi admitiu que houve "casos isolados" de abusos durante os sete meses de guerra civil, e reiterou que o governo provisório está investigando as circunstâncias que envolveram a captura e a morte de Gaddafi, em outubro.

O governo inicialmente disse que Gaddafi morreu devido a ferimentos sofridos em combate, mas vídeos gravados com celulares mostraram o ex-dirigente sendo arrastado e agredido por soldados do novo regime, gerando suspeitas de que ele foi vítima de uma execução sumária.

Os quatro países que votaram contra a readmissão da Líbia no Conselho de Direitos Humanos têm governos esquerdistas que foram amigos de Gaddafi até o final: Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela.

Em discurso à Assembleia, o embaixador venezuelano, Jorge Valero, condenou a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em favor dos rebeldes líbios, que acabou por resultar na deposição de Gaddafi.

"Horrendas e disseminadas violações dos direitos humanos ocorreram ... (incluindo) o macabro assassinato do líder da Líbia."

Os representantes de Equador, Bolívia e Nicarágua também sugeriram que o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio não é um governo legítimo.

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