ONU reage com cautela à ordem de detenção contra Bashir

Organização depende da colaboração do governo sudanês para trabalho voluntário; 10 agências foram expulsas

Efe,

04 de março de 2009 | 20h42

A ONU reagiu nesta quarta-feira, 4, com cautela à decisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) de ordenar a detenção do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, diante da possibilidade de que o pessoal do organismo e os voluntários internacionais no país africano sofram represálias. A organização parece se sentir presa entre a vontade de apoiar a atuação da Justiça internacional, e o fato de que depende da colaboração de Cartum para realizar seu extenso trabalho humanitário e de pacificação no país africano. Veja também:Decisão de Haia agravará guerra em Darfur, diz SudãoEUA: responsáveis por Darfur 'devem pagar'Governo expulsa 10 organizações de ajuda estrangeiras  Blog: Darfur, enfim, tem um réu. E agora, Lula? Especial: os conflitos no Sudão e a crise em Darfur TV Estadão: Google Earth mostra devastação no Sudão Militares e fundamentalistas levaram Bashir ao poder A sala preliminar do TPI, com sede em Haia, emitiu hoje uma ordem de detenção contra Bashir devido a sua suposta responsabilidade na execução de crimes de guerra e de lesa-humanidade no conflito em Darfur. Após saber dessa decisão, o Sudão anunciou a expulsão de dez organizações de assistência humanitária de nacionalidade britânica, francesa, americana e norueguesa, e a dissolução de outras duas sudanesas. Alguns dos grupos envolvidos são a Médicos Sem Fronteiras, que já confirmou a evacuação de seu pessoal internacional em Darfur, a Oxfam, o Conselho Norueguês para os Refugiados, a Care International e a Assistência Internacional. A porta-voz da ONU, Michèle Montas, disse hoje, em entrevista coletiva, que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está preocupado com a decisão do governo sudanês de expulsar do país essas organizações humanitárias internacionais, e pediu a Cartum a que volte atrás na ordem. A saída dessas organizações "teria uma impacto grave na situação humanitária e de segurança no norte do Sudão, particularmente em Darfur", disse a porta-voz, que também afirmou que os responsáveis da ONU no Sudão, assim como seus enviados especiais na região, continuarão mantendo contatos com Bashir "quando for necessário". Montas não respondeu à pergunta sobre se Ban voltará a se reunir com o líder sudanês enquanto este for um homem demandado pela Justiça internacional pela suposta responsabilidade nas atrocidades cometidas em Darfur. Também não precisou se o principal responsável das Nações Unidas pede ao governo de Cartum que cumpra a ordem de detenção e entregue Bashir ao TPI. "Não posso especificar, porque isso é uma questão que corresponde ao TPI", disse Montas, que ressaltou que a ordem de detenção foi emitida pelo alto tribunal, que é "um órgão independente, por isso Ban não tem nada a dizer sobre esta ordem." Ao mesmo tempo, especificou que Ban confia em que as autoridades sudanesas agirão de acordo com a resolução 1.593, através da qual, em 2005, o Conselho de Segurança da ONU instruiu a Promotoria do TPI a investigar os crimes cometidos em Darfur. A resolução expressa a obrigação do Governo de Cartum e de todas as partes envolvidas no conflito de cooperar com o tribunal internacional. Na opinião do embaixador sudanês na ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, a declaração de Ban não exige o cumprimento da decisão do tribunal internacional, do qual Cartum não faz parte. "Esta declaração não nos obriga a colaborar com o TPI, isso está muito claro para nós", acrescentou.

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