ONU: reduzir mortalidade infantil e materna custaria US$ 24 bi

A mortalidade materna nos países em desenvolvimento poderia ser reduzida em 70 por cento e a morte de recém-nascidos em 50 por cento, caso fosse dobrado o investimento em planejamento familiar e no cuidado pré-natal, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) na quinta-feira.

KATE KELLAND, REUTERS

03 de dezembro de 2009 | 17h38

Segundo um relatório, investimentos no planejamento familiar e no controle de natalidade incrementariam a eficácia dos gastos em atendimento à saúde dos recém-nascidos e das gestantes, sugerindo que o investimento em ambos concomitantemente proporcionaria resultados "drásticos".

"O investimento em uma série de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar e assistência ao parto, pode salvar milhões de mulheres e bebês", disse Sharon Camp, presidente do Guttmacher Institute, que estuda saúde reprodutiva e divulgou o relatório em conjunto com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

"Não é um bicho de sete cabeças. Em sua maior parte, são serviços simples que podem ser oferecidos de uma forma barata no nível local, suplementados por uma provisão de cuidado urgente quando necessário."

Especialistas estimam que mais de meio milhão de novas mães e 3,5 milhões de recém-nascidos morrem nos países em desenvolvimento todos os anos, e dizem que muitas dessas mortes são facilmente evitáveis.

O relatório indicou que dobrar os atuais gastos para 24,6 bilhões de dólares evitaria a morte precoce de quase 400 mil mulheres e de 1,6 milhão de bebês, reduziria as gestações não desejadas em mais de dois terços e reduziria em 75 por cento o número de abortos inseguros e das complicações decorrentes deles.

Um relatório lançado em outubro mostrou que os abortos inseguros matam 70 mil mulheres anualmente e mutilam outras milhões.

A comunidade internacional atualmente gasta cerca de 12 bilhões de dólares por ano em programas de planejamento familiar e de saúde materna nos países em desenvolvimento, de acordo com o relatório.

Apesar disso, estudos ainda mostram que por volta de 215 milhões de mulheres que desejam evitar a gravidez não têm uma contracepção efetiva e apenas metade das 123 milhões de mulheres que dão à luz anualmente recebe cuidados necessários no pré-natal, no parto e para o recém-nascido.

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