ONU rejeita imposição de sanções contra a Somália

O Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU) rejeitou nesta quarta-feira as recomendações para a aplicação de sanções e um embargo armamentista contra a Somália, apesar da crescente violência e dos sinais de que os fundamentalistas islâmicos tem ganhado força no país.As recomendações foram feitas por um dos comitês do Conselho, que advertiu que os senhores de guerra somalianos vinham rotineiramente violando o atual embargo armamentista vigente no país.Segundo o comitê, os fundamentalista islâmicos têm ganhado "apoio e capacidade militar para conter os outros poderes da Somália".O relatório foi lançado no mesmo dia em que dez pessoas morreram em Mogadiscio. A violência elevou para 95 o número de vítimas fatais nos confrontos armados que começaram no domingo passado pelo controle da capital somali, confirmaram fontes hospitalares e testemunhas.Os combates têm como protagonistas membros da autodenominada Aliança Antiterrorista e de Restauração da Paz e as milícias leais aos tribunais islâmicos da cidade.O presidente dos tribunais islâmicos, Sharif Sheikh Ahmed, declarou unilateralmente um cessar-fogo ontem, mas a trégua fracassou poucas horas depois, quando os milicianos da Aliança intensificaram seus ataques.Mais de 200 pessoas ficaram feridas e milhares de famílias fugiram de Se-Se, a principal área dos combates, no norte de Mogadiscio, disse o ativista local Abdulahi Mohammed Shirwa, que pedia para que os combatentes parassem a luta.As esperanças de conseguir uma trégua se diluíram depois que o porta-voz da Aliança, Hussein Gutale, afirmou hoje que os tribunais islâmicos acolheram e protegem os responsáveis pelo ataque com carros-bomba contra as embaixadas dos Estados Unidos em Nairóbi (Quênia) e Dar-es-Salam (Tanzânia), em 1998.Esses ataques, que segundo Washington são de responsabilidade da Al-Qaeda, deixaram um saldo de 220 mortos e milhares de feridos.A Somália vive em meio ao caos desde janeiro de 1991, quando os chefes de clãs tribais derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre e controlam desde então o dividido território somali, com a ajuda de milícias armadas que impõem "a lei do mais forte".O primeiro-ministro somali, Ali Mohammed Ghedi, pediu aos combatentes que coloquem fim aos confrontos "incondicionalmente", e que não os estendam a outras regiões do país.

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