ONU: relatório mostra crimes contra humanidade na Síria

Relatório cita execuções públicas em Alepo e Raqqa durante a guerra síria que, segundo a ONU, já deixou mais de 190 mil mortos

Estadão Conteúdo

27 de agosto de 2014 | 12h25

O governo sírio provavelmente usou gás de cloro para atacar civis, enquanto o grupo Estado Islâmico cometeu crimes contra a humanidade a população local em duas províncias da Síria, afirmou nesta quarta-feira uma comissão independente da Organização das Nações Unidas (ONU).

O relatório da comissão, que está encarregada de investigar possíveis crimes de guerra no país, representa a primeira vez em que a ONU atribuiu culpa pelo uso de agentes químicos. A comissão disse, especificamente, que "existem motivos razoáveis para acreditar" que as forças do governo, leais ao presidente Bashar Assad usou um agente químico, provavelmente cloro, contra civis em vilas do norte, oito vezes em abril.

Segundo o documento, vítimas e funcionários da área da saúde descreveram os sintomas causados pela exposição aos agentes químicos e testemunhas disseram que um cheiro de cloro foi sentido imediatamente após verem helicópteros do governo jogarem bombas barril contra áreas habitadas por civis nas províncias de Idlib e Hama, por oito vezes entre 11 e 29 de abril.

A comissão também registrou o assassinato de civis, de forma ampla e sistemática, por integrantes do Estado Islâmico, grupo que agora controla uma grande parte do norte e do leste da Síria. O grupo da ONU disse que os ataques aconteceram na província de Alepo, no norte, e na região de Raqqa, no nordeste, reduto do grupo. As descobertas significam que funcionários da ONU acreditam que o Estado Islâmico cometeu crimes contra a humanidade na Síria e no Iraque, os dois países nos quais o grupo estabeleceu seu califado.

"Esta é a continuação, e a expansão geográfica, dos ataques amplos e sistemáticos contra a população civil", segundo o relatório dos quatro integrantes da comissão, que é presidida pelo diplomata e estudioso brasileiros Paulo Sergio Pinheiro.

O relatório, que teve como base 480 entrevistas além de vários documentos, cita dezenas de execuções públicas registradas em Alepo e Raqqa durante a sangrenta e complexa guerra síria que, segundo a ONU, já deixou mais de 190 mil mortos.

Multidões, que incluíam crianças, testemunharam combatentes do grupo declarando homens, em sua maioria adultos, culpados por violar as leis religiosas e então cortando suas cabeças ou atirando contra eles à queima-roupa. O propósito, segundo a comissão, é "instalar o terror entre a população e, desta forma, garantir a submissão a sua autoridade". /Associated Press

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