ONU retira pessoal 'não essencial' da Síria devido à insegurança

Fonte diplomática afirma que porta-voz do Ministério das Relações Exteriores desertou e fugiu do país

Reuters

03 de dezembro de 2012 | 16h30

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta segunda-feira, 3, que está retirando "todo o pessoal não essencial internacional" da Síria devido à piora da situação de segurança, restringindo seus trabalhadores humanitários restantes à capital.

Até 25 de cerca de 100 funcionários estrangeiros poderão deixar o país nesta semana, disse a ONU, acrescentando que mais veículos blindados são necessários depois de ataques nas últimas semanas a comboios de ajuda humanitária e do sequestro de bens ou veículos.

Alguns comboios foram atingidos no fogo cruzado entre as forças do governo da Síria e as rebeldes, incluindo um incidente em que dois funcionários ficaram feridos perto do aeroporto. "A ONU decidiu enviar todo o pessoal não essencial internacional para fora da Síria e suspender todas as viagens de campo fora da capital por agora", disse o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) em comunicado.

Damasco havia sido considerada segura até a semana passada, quando o principal aeroporto foi fechado e os voos para a Síria foram cancelados após vários ataques de rebeldes. "A situação está mudando significativamente", disse o consultor-chefe de segurança da ONU na Síria, Sabir Mughal. "Há um risco cada vez maior para (funcionários) humanitários, como resultado de disparos ou conflitos indiscriminados entre as partes."

Desertor

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Síria Jihad Makdissi desertou do governo e deixou o país, segundo uma fonte diplomática regional, que não quis ser identificada. "Ele desertou. Tudo o que posso dizer é que ele está fora da Síria."

Makdissi, que pertence à minoria cristã da Síria, defendeu firmemente a repressão do presidente sírio aos protestos de 20 meses contra cinco décadas de governo autocrático de Assad e seu falecido pai.

Ex-diplomata, Makdissi teve pouca influência em um sistema sustentado pelo instrumento de segurança, em que o Ministério das Relações Exteriores não tem autoridade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.