ONU retoma ajuda humanitária para sobreviventes em Mianmar

Nações Unidas haviam suspendido envio depois que suprimentos foram confiscados pela junta militar

Agências internacionais

09 de maio de 2008 | 12h53

Horas depois de ter suspendido o envio da ajuda humanitária a Mianmar, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que retomará no sábado, 10, os embarques de itens de primeira necessidade ao empobrecido país asiático devastado por um ciclone no último fim de semana.  Veja também:ONU suspende envio de ajuda para sobreviventes em MianmarMianmar quer ajuda, mas não estrangeiros, diz governo  Horas depois de ter suspendido o envio da ajuda humanitária a Mianmar, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que retomará no sábado, 10, os embarques de itens de primeira necessidade ao empobrecido país asiático devastado por um ciclone no último fim de semana. Segundo a Casa Branca, a junta militar autorizou a entrada de um avião americano com a ajuda humanitária para os atingidos pelo ciclone. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, a aeronave chegará no país na segunda-feira.  A ONU havia embargado o envio de ajuda humanitária a Mianmar depois de alegar que a junta militar que governa o país apreendeu os alimentos e os equipamentos enviados pelo Programa Mundial de Alimentação para ajudar as vítimas do ciclone Nargis. Mas Rangum desmentiu a versão da ONU, qualificando-a como "acusação infundada". De acordo com o Programa Mundial de Alimentação, mais dois aviões com itens humanitários decolarão no sábado com destino a Rangum. Nancy Roman, porta-voz da entidade em Genebra, disse que a ONU está negociando com Rangum a liberação de toneladas de biscoitos de alto teor energético enviados para alimentar as vítimas. Mais cedo, Paul Risley, porta-voz do programa em Bangcoc, alegou que a ONU "não teve escolha" a não ser suspender o envio de novas remessas enquanto o assunto não for resolvido. "Toda a comida e todos os equipamentos que conseguimos reunir e enviar foram confiscados" pela junta, acusou o porta-voz. A remessa de ajuda humanitária incluía 38 toneladas de biscoitos de alto teor energético. Horas mais tarde, Ye Htut, porta-voz da junta militar birmanesa, disse que o governo assumiu o controle de uma remessa enviada hoje pelo Programa Mundial de Alimentação para distribuí-la "sem demora por sua própria conta aos habitantes das áreas afetadas". Ele rejeitou a interpretação da ONU de que a ajuda teria sido apreendida e disse querer saber de onde partiram "essas acusações infundadas". Numa mensagem de correio eletrônico enviada à Associated Press nesta sexta-feira, Ye Htut afirmou que Mianmar já deixou claro que "prioriza o recebimento das remessas de ajuda emergencial". Também nesta sexta-feira, a mídia estatal birmanesa elevou o número de mortos e reduziu o de desaparecidos na passagem do ciclone Nargis no último sábado. De acordo com as cifras mais recentes, a catástrofe natural deixou 23.335 mortos e 37.019 desaparecidos. Ajuda americana Em entrevista coletiva em Crawford (Texas), onde o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prepara em seu rancho o casamento de sua filha Jenna, que ocorrerá no sábado, o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, afirmou que o avião militar americano chegará na segunda-feira a Mianmar.  Aviões e equipes de emergência americanas se encontram na Tailândia há dias à espera de que Mianmar autorize sua entrada no país. "Esperamos que seja o começo de uma longa linha de assistência dos Estados Unidos a Mianmar", afirmou Johndroe, que demonstrou a preocupação de seu país com a situação do povo birmanês. "Vão precisar de nossa ajuda durante muito tempo", acrescentou o porta-voz, que assegurou que o país continuará "colaborando com o Governo de Mianmar para que permita mais assistência". Embora, por enquanto, o regime militar só tenha autorizado a entrada de um carregamento, "um avião é muito melhor que nenhum", especificou.  Mau tempo A agência climática das Nações Unidas anunciou que suas previsões indicam uma grande chance de fortes chuvas em Mianmar quase no fim da próxima semana. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM), sediada em Genebra, afirmou que dois de seus modelos de previsão apontam para três dias de chuvas fortes, começando na quinta-feira ou na sexta da próxima semana. A organização meteorológica alertou que as chuvas fortes podem piorar a situação na região atingida. Ela apontou, apesar disso, que as previsões feitas com intervalo maior que cinco dias devem ser vistas com cautela. A previsão é de cem milímetros de precipitações no país do Sudeste Asiático devastado pelo ciclone Nargis, no fim de semana passado. Dezenas de milhares de pessoas morreram e muitas outras ficaram desabrigadas.  Matéria ampliada às 15h05. 

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